Além do mercado: por que escolher uma carreira na saúde exige “vocação”, empatia e responsabilidade social

Embora o setor de saúde tenha mostrado resiliência no mercado de trabalho, especialistas alertam que as perspectivas de emprego não são suficientes — “vocação” e habilidades humanas fazem diferença no exercício profissional.

O setor de saúde no Brasil continua a mostrar resiliência na geração de empregos formais: segundo a 76ª edição do Relatório de Emprego na Cadeia Produtiva da Saúde (RECS), o número de vínculos formais na cadeia produtiva da saúde cresceu 0,7% no primeiro trimestre de 2025, passando de 5,15 milhões em dezembro de 2024 para cerca de 5,18 milhões em março de 2025 — um acréscimo de quase 35 mil empregos. Esses números destacam a importância econômica da área e sua capacidade de absorver mão de obra, mesmo em cenários de crescimento mais moderado da economia geral.

O crescimento do setor de saúde, impulsionado pelo envelhecimento da população, pela expansão dos serviços assistenciais e pela demanda crescente por cuidados humanizados, amplia as oportunidades de trabalho. Mas, para além dos números, a realidade diária do cuidado exige habilidades que vão muito além da técnica.

Segundo Gabriel Chies, médico de família e comunidade e coordenador do curso de Medicina do Centro Universitário Cesuca, a escolha de uma profissão da saúde deve considerar características intrínsecas ao indivíduo. “A Medicina e outras carreiras da saúde exigem uma profunda conexão com o outro, com capacidade de ouvir, compreender e agir de forma ética e humana”, afirma.

“Revisões sistemáticas amplas* indicam que maior empatia de profissionais se associa a melhores experiências de cuidado, maior adesão ao tratamento, melhor funcionalidade e segurança do paciente — reforçando a importância desses atributos na formação profissional”, indica o médico.

Ainda segundo Chies, “vocação, entendida aqui não como um “chamado místico”, mas como um propósito pessoal alinhado à prestação de cuidado, ajuda o futuro profissional a lidar com desafios que vão desde jornadas longas até situações emocionalmente complexas, como sofrimento, perda e tomada de decisões críticas”.

Outro aspecto destacado pelo médico é o contato precoce com a realidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e com comunidades vulneráveis, que permite ao estudante vivenciar o contexto real em que atuará. “Essa aproximação facilita uma escolha mais consciente e, ao mesmo tempo, reforça o compromisso social inerente às profissões de saúde”,

 

  • Nembhard, I., David, G., Ezzeddine, I., Betts, D., & Radin, J. (2022). A Systematic Review of Research on Empathy in Healthcare.. Health services research. https://doi.org/10.1111/147514016.
  • Guidi, C., & Traversa, C. (2021). Empathy in patient care: from ‘Clinical Empathy’ to ‘Empathic Concern’. Medicine, Health Care, and Philosophy, 24, 573 – 585. https://doi.org/10.1007/s11019-021-10033-4 .

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