Parece contraintuitivo, mas faz sentido: John Wick: Capítulo 4, disponível no Mercado Play e apontado como john wick onde assistir gratuitamente, pode ser a melhor porta de entrada para a franquia, mesmo sendo o quarto filme da série. Não porque os anteriores não importem, mas porque o quarto capítulo representa o pico técnico e narrativo de tudo o que a saga construiu, e sua escala cinematográfica é a mais convincente para seduzir quem ainda não conhece o universo.
O que é John Wick para quem nunca viu
John Wick é uma franquia de filmes de ação centrada num assassino de elite aposentado que é forçado a voltar para o mundo do crime organizado após uma série de provocações. A identidade da saga foi construída em cima de três pilares que a diferenciam de qualquer outra franquia de ação contemporânea:
Primeiro: um universo próprio e detalhado, o “High Table”, a organização criminosa global que governa o submundo, com suas próprias regras, moedas de troca e rituais. Esse worldbuilding é o que transforma um filme de tiroteios num universo que o espectador quer continuar explorando.
Segundo: coreografia de ação diferente de tudo que existia antes. O estilo “gun fu”, combate corpo a corpo integrado com uso constante de armas de fogo, foi desenvolvido pelo diretor Chad Stahelski em colaboração com Keanu Reeves, que treinou por meses para executar as sequências sem dublê. A precisão e a fluidez das cenas de ação são visualmente distintas de qualquer outra produção do gênero.
Terceiro: Keanu Reeves. O ator encontrou em John Wick o papel que une sua presença física, seu comprometimento com a preparação e uma capacidade expressiva que o cinema havia subestimado por décadas.
Por que o quarto filme funciona como ponto de entrada
John Wick: Capítulo 4 é, de todos os filmes da saga, o que mais se sustenta como experiência cinematográfica independente. Não porque ignora o que veio antes, referencia os eventos anteriores o suficiente para o espectador novo entender o contexto, mas porque a premissa central é simples: John quer sair. Para sair, precisa enfrentar um último adversário designado pelo High Table.
Isso é tudo que você precisa saber para entrar no filme. O resto é execução, e a execução é extraordinária.
As escadarias do Sacré-Cœur: a cena mais falada do filme
Ambientado em Paris, o quarto capítulo tem uma sequência filmada nas escadarias do Sacré-Cœur em Montmartre que foi imediatamente reconhecida como uma das cenas de ação mais bem realizadas da história recente do cinema. A câmera acompanha John de cima, como se fosse um jogo visto de cima, enquanto ele desce uma escadaria de 222 degraus enfrentando adversários a cada metro.
A franquia John Wick e a reinvenção do cinema de ação americano
Quando o primeiro John Wick foi lançado em 2014 com um orçamento modesto e sem grande campanha de marketing, poucos previram que ele inauguraria uma reinvenção do cinema de ação americano. A premissa parecia simples demais, assassino aposentado sai de sua paz porque mataram seu cachorro, mas o filme entregou algo que o gênero havia perdido: coreografia de combate com coerência espacial real e um protagonista cujo custo físico das ações é visível.
Keanu Reeves, que treinou extensivamente para o papel, não parece invulnerável. John Wick sangra, cansa, perde. A cada sequência de combate, o acúmulo de dano é palpável. Essa fisicalidade criou uma relação diferente entre o espectador e as cenas de ação: em vez de assistir a um super-herói que não pode perder, você acompanha um humano extraordinariamente habilidoso que pode, genuinamente, não sobreviver ao próximo encontro.
A franquia construiu sobre essa base um universo cada vez mais elaborado, e John Wick: Capítulo 4 representa o ápice técnico e narrativo de tudo que foi desenvolvido nos filmes anteriores.