Por que visuais Lo-Fi têm espaço em jogos de terror modernos

Produtor da Playstige discute o uso de estética retro em jogos como The Echo no Xbox

Barış Tarımcıoğlu, produtor da Playstige, explora a ironia de usar visuais lo-fi em jogos de terror modernos, destacando a nostalgia e a autenticidade digital.

Em 2025, o produtor da Playstige, Barış Tarımcıoğlu, estaria criando visuais lo-fi para jogos de terror, algo que o faria rir em 1999, quando lutava para extrair cada polígono do Unreal Engine em busca do fotorealismo. Atualmente, Tarımcıoğlu desenvolve The Echo para Xbox, afastando-se dos gráficos ultra-realistas em favor de uma estética retro.

O produtor destaca a ironia de, após décadas aperfeiçoando gráficos realistas, notar um desejo por visuais retro entre os gamers. The Echo coloca o jogador na pele de um neuro-investigador, explorando redes neurais perigosas com visuais pixelados, uma abordagem nostálgica que Tarımcıoğlu admite funcionar bem.

De acordo com o artigo, o foco do Unreal Engine permaneceu no realismo de 2000 a 2010, mas nos últimos cinco anos, o motor gráfico abraçou a diversidade estilística. Essa mudança permite que desenvolvedores foquem na narrativa e na nostalgia, mantendo visuais low-poly. Tarımcıoğlu acredita que as novas gerações sentem nostalgia por épocas que não vivenciaram, buscando uma autenticidade digital nos visuais lo-fi.

Para o produtor, a estética serve à narrativa de terror, onde falhas visuais e texturas de baixa resolução criam imersão. Ele argumenta que essa tendência reflete a maturação dos games como meio artístico, onde a escolha de não buscar o realismo carrega significado, similar à escolha de filmes independentes por cinematografia em preto e branco de 16mm.

Os elementos cyberpunk de The Echo se encaixam nessa abordagem, explorando a intersecção entre alta tecnologia e baixa qualidade de vida. Os visuais lo-fi incorporam temas como tecnologia avançada de mergulho neural renderizada através de gráficos primitivos, criando tensão narrativa. Tarımcıoğlu se diz impressionado com a atmosfera gerada por elementos visuais simples, como um letreiro de neon piscando ou um fluxo de dados corrompido.

Tarımcıoğlu conclui que o apelo dos gráficos retro está em sua honestidade, abraçando sua natureza digital em vez de tentar enganar o olho. The Echo é uma exploração de como a restrição pode aprimorar a criatividade, e como, às vezes, o caminho mais eficaz é olhar para trás.

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