Curitiba pode adotar uma nova estratégia para integrar a natureza no cotidiano da população, com a proposta de criação de "florestas de bolso". Idealizadas pela vereadora Laís Leão, essas microflorestas urbanas têm como objetivo aumentar o contato da comunidade com áreas verdes e minimizar os impactos do aquecimento global. A iniciativa se alinha à Política Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas.
As microflorestas podem ser instaladas em espaços subutilizados, como canteiros, terrenos baldios e áreas públicas. Com um custo baixo e fácil implementação, essa solução requer pouca manutenção. O conceito foi desenvolvido pelo botânico e paisagista Ricardo Cardim, que destaca a importância de trazer a natureza para o cotidiano de quem vive em grandes cidades.
Laís Leão enfatiza que a falta de contato com áreas verdes pode impactar a qualidade de vida dos cidadãos. Para ela, a presença de árvores, flores e o canto de pássaros nos deslocamentos diários podem proporcionar uma sensação de leveza e tranquilidade. Uma microfloresta de 15 m², por exemplo, pode oferecer benefícios mensuráveis à qualidade ambiental urbana, refletindo a lógica das florestas tropicais em menor escala, ao gerar sombras, melhorar a qualidade do ar e aumentar a fauna local.
A proposta destaca que, em cidades consolidadas como Curitiba, onde a competição por espaço é intensa, as microflorestas representam uma solução inovadora, de pequeno porte e grande impacto. Além de promover a saúde do meio ambiente, as florestas de bolso podem transformar terrenos abandonados em espaços de convivência e bem-estar, contribuindo para a saúde mental da população, conforme demonstram estudos da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.
A legislação que estabelece a Política Municipal de Mitigação e Adaptação às Mudanças Climáticas foi sancionada em 2025, com o objetivo de atingir a neutralidade nas emissões de gases de efeito estufa até 2050. A vereadora Laís Leão ressalta que a melhoria da qualidade de vida é uma responsabilidade do poder público, especialmente diante das Mudanças Climáticas.
O projeto de lei prevê que a implantação das florestas de bolso ocorra em áreas públicas destinadas ao uso comum, em áreas privadas por iniciativa voluntária, ou por meio de ações comunitárias e institucionais. A proposta será analisada pelas comissões temáticas da Câmara Municipal antes de ser votada em Plenário. Caso aprovada, a implementação das microflorestas terá início 30 dias após a publicação da sanção no Diário Oficial do Município.