Maternidade e Neuromielite Óptica: o amor que resiste ao imprevisível

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No mês das mães, relatos de mulheres que convivem com a Neuromielite Óptica revelam desafios, adaptações e a força de seguir cuidando, mesmo diante das incertezas

 

 

A maternidade já é desafiadora por natureza. Quando atravessada pela Neuromielite Óptica (NMO), doença rara que pode comprometer visão e mobilidade, ela se torna ainda mais complexa, exigindo adaptação constante diante de um cenário de incertezas.

Para a advogada Daniele Americano, presidente da NMO Brasil, o diagnóstico transforma toda a dinâmica familiar. “De um dia para o outro, nossa vida virou de cabeça para baixo. Fiquei seis meses internada e, quando voltei, estava tetraplégica funcional, dependente para tudo”, relembra.

 

Divulgação: Daniele Americano, advogada.

 

Mãe de um menino que tinha 10 anos na época, ela destaca o impacto emocional vivido dentro de casa. “Ele sofreu, mesmo sem dizer. Ao mesmo tempo, foi a minha força para enfrentar tudo. A gente precisou aprender a viver uma nova realidade juntos.”

Daniele também chama atenção para a desigualdade enfrentada pela maioria das pacientes. “Tive rede de apoio, mas essa não é a realidade da maioria. Há mães que são arrimo de família, sem ajuda, cuidando de filhos e de outros parentes. A NMO afeta principalmente mulheres, a maioria em situação de vulnerabilidade.”

A psicóloga Marcela Mustefaga vive a maternidade com um filho pequeno e uma gestação em curso. Para ela, o maior desafio está no equilíbrio entre cuidar dos filhos e da própria saúde. “A gente convive diariamente com o medo – de não enxergar mais nossos filhos ou de não conseguir acompanhá-los como gostaríamos.”

 

Divulgação: Marcela Mustefaga, psicóloga.

Ela também relata o impacto emocional da rotina. “Quando não consigo pegar meu filho no colo por causa da fadiga ou da dor, a culpa aparece. E, ainda assim, preciso me cuidar, porque o preço pode ser alto.”

Os tratamentos, feitos com infusões hospitalares, exigem reorganização familiar. “Fico um dia inteiro no hospital e depois ainda enfrento dias de cansaço. Mesmo assim, a rotina da maternidade não para”, diz.

Já a também psicóloga Karina Domingues, que teve filhos antes e depois do diagnóstico, resume o desafio com clareza: “Existe uma sobrecarga invisível. Mesmo sem estar bem, a maternidade exige presença. Para dar conta, não é 100%, é 300%.” Ela lembra que, mesmo diante das limitações, o vínculo com os filhos segue sendo prioridade. “Ser uma boa mãe não é fazer tudo, mas estar presente da forma possível.”

Além dos desafios diários, o acesso ao tratamento ainda é um obstáculo no Brasil. Sem protocolos definidos no SUS, a maioria das pacientes precisam recorrer à Justiça. “Estamos falando de uma doença em que evitar surtos é essencial. Sem tratamento, há risco real de perda de qualidade de vida e até da própria vida”, afirma Daniele, presidente da NMO Brasil.

A falta de informação também agrava o cenário. Sintomas como fadiga extrema e dores neuropáticas ainda são pouco compreendidos. “Informação gera empatia e melhora o acolhimento dessas mulheres”, reforça.

Neste Dia das Mães, o pedido é direto: mais acesso, mais informação e mais dignidade. “Ter tratamento é poder viver sem o medo constante de um novo surto”, resume Marcela.

Entre limitações e recomeços, essas mães seguem reinventando o cotidiano. Não como histórias idealizadas, mas como retratos reais de um amor que resiste — todos os dias.

 

 

Fonte: Assessoria de Imprensa. / Fotos: Divulgação e Freepik.

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