Especialista em gerontologia e direitos humanos, Adriana Oliveira conduz encontro gratuito no Instituto Paranaense de Cegos, na próxima quinta-feira (14)
O envelhecimento da população brasileira já deixou de ser uma projeção futura para se tornar uma realidade concreta — e urgente. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o mundo tinha cerca de 1 bilhão de pessoas idosas em 2019 e deverá chegar a 2,1 bilhões até 2050. No Brasil, a população idosa já representa mais de 16,6% dos habitantes e o número continua crescendo rapidamente.
Diante desse cenário, o Instituto Paranaense de Cegos promove na próxima quinta-feira (14), das 13h30 às 16h, a roda de conversa “Família e Envelhecimento”, no auditório da instituição, em Curitiba. A atividade gratuita e aberta ao público será conduzida por Adriana Oliveira, especialista em Gerontologia e em Gestão Pública com ênfase em Direitos Humanos, propõe um espaço de diálogo, escuta e reflexão sobre os desafios enfrentados por pessoas idosas, pessoas com deficiência e suas famílias. As inscrições podem ser feitas via Forms pelo link https://forms.gle/pqy5raYToEfVdCg97 . Para quem tiver alguma dúvida ou dificuldade para se inscrever, entre em contato pelo número (41) 8435-2432.
Para Adriana Oliveira, um dos principais obstáculos ainda é a invisibilidade dessas populações fora dos espaços em que o tema já é discutido. “Mesmo com avanços nas políticas públicas e na legislação, as pessoas idosas e as pessoas com deficiência ainda permanecem invisíveis em muitos contextos sociais. O grande desafio, além das barreiras políticas, são as barreiras atitudinais, ou seja, sensibilizar as outras pessoas para que compreendam a especificidade do envelhecimento e da deficiência”, afirma.
Ela destaca que o envelhecimento, em muitos casos, aproxima as pessoas da realidade da deficiência, especialmente devido às limitações funcionais e às comorbidades que podem surgir ao longo da vida. “Quando você envelhece, a chance de desenvolver comorbidades aumenta e você se aproxima muito da condição de uma pessoa com deficiência. São interseccionalidades que se cruzam o tempo todo”, explica. A especialista também chama atenção para a necessidade de transformar leis em práticas efetivas. “A aplicabilidade da legislação depende de uma cultura de cuidado, de um olhar atento e de uma sociedade pensada para pessoas de todas as idades e circunstâncias.”
No Paraná, Adriana aponta avanços importantes na estruturação das políticas públicas voltadas à pessoa idosa. Segundo ela, os 399 municípios do estado já possuem conselhos municipais e fundos específicos para os direitos da pessoa idosa, além de planos municipais voltados a essa população. “Quando um município possui um plano para a pessoa idosa, significa que ele sabe onde essas pessoas estão, quais são suas necessidades e quais prioridades precisam ser atendidas. E quando existem fundos, estamos falando de orçamento. Não existe política pública sem recurso”, ressalta.
Outro ponto central da conversa será o cuidado — tanto de quem envelhece quanto de quem cuida. “Hoje temos pessoas idosas cuidando de outras pessoas idosas. Precisamos entender que envelhecer é um processo do curso da vida e que todos nós estamos envelhecendo o tempo todo”, afirma. Adriana também pretende provocar reflexões sobre situações cotidianas que muitas vezes passam despercebidas, mas impactam diretamente a autoestima e a autonomia da pessoa idosa. “O tempo de travessia, o tempo de enxergar, de abrir uma garrafa de água, tudo muda com o envelhecimento. Pequenas atitudes podem gerar acolhimento ou constrangimento.”
Além das questões relacionadas ao envelhecimento, o encontro também pretende abordar a importância da convivência e da escuta entre diferentes gerações. “Eu gostaria que fosse uma escuta qualificada, não apenas ouvir, mas ouvir a partir do olhar do outro e pensar nos encaminhamentos possíveis. A roda de conversa é uma via de mão dupla”, destaca.
*Estatísticas preocupantes*
No Brasil, mais de 7,9 milhões de pessoas têm dificuldade para enxergar e, entre os idosos, esse número cresce consideravelmente. Dados apontam que 27,5% das pessoas com mais de 70 anos possuem algum tipo de deficiência. A discussão também dialoga com dados preocupantes sobre isolamento social. De acordo com a OMS e o Relatório Mundial sobre Conexão Social 2023, a solidão provoca cerca de 871 mil mortes por ano no mundo. Entre pessoas idosas, o impacto tende a ser ainda mais significativo, especialmente quando associado a situações de dependência, perda de autonomia ou deficiência visual.
*Serviço*
Roda de Conversa – Família e Envelhecimento
Data: 14 de maio (quinta-feira)
Horário: das 13h30 às 16h
Local: Auditório do Instituto Paranaense de Cegos
Endereço: Av. Visconde de Guarapuava, 4186 – Curitiba/PR
Inscrições gratuitas: via Forms pelo link: https://forms.gle/pqy5raYToEfVdCg97
Mais informações: (41) 8435-2432.