André Mendonça, relator do caso das fraudes no INSS no Supremo Tribunal Federal (STF), declarou que a responsabilidade de decidir sobre a possibilidade de ouvir Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, recai sobre a Polícia Federal (PF). A manifestação ocorreu após a Defesa de Lulinha ter buscado diretamente o ministro para discutir a realização de uma oitiva. A discussão se intensifica no Congresso Nacional, onde há um requerimento para convocar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para prestar esclarecimentos na Câmara dos Deputados.
Em janeiro deste ano, a PF havia solicitado a quebra de sigilo de Lulinha, indiciado por supostamente receber uma mesada de R$ 300 mil mensais de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”. Desde então, a defesa do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a intermediar pedidos diretamente com André Mendonça, na tentativa de que Lulinha fosse ouvido. Contudo, Mendonça deixou claro que a decisão sobre essa oitiva é de competência dos investigadores da PF.
Informações indicam que houve uma análise no entorno de Mendonça sobre as intenções da defesa, que poderia estar buscando um encontro com o ministro para melhorar a imagem de Lulinha em meio à investigação. Em paralelo, a PF já agendou o depoimento de Roberta Luchsinger, uma empresária que é investigada por supostamente intermediar os pagamentos de Antunes para Lulinha. O depoimento está marcado para o dia 20 de maio e será realizado por videoconferência.
A expectativa é que, após a finalização dessa série de depoimentos, a Polícia Federal reavalie a necessidade de ouvir Lulinha. Até o momento, a oitiva do filho do presidente ainda não foi realizada, o que gera expectativa sobre os próximos passos da investigação.
Adicionalmente, a oposição levantou suspeitas sobre a troca de delegado na PF, ocorrida na mesma semana em que um áudio de Flávio Bolsonaro foi vazado, no qual ele solicita dinheiro a Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A mudança de delegado intensificou as desconfianças de uma possível investigação seletiva. A PF, por sua vez, assegurou que a troca já estava programada e negou qualquer insinuação de favorecimento. Caso o requerimento de Sostenes Cavalcante seja aprovado, a convocação de Andrei Rodrigues será obrigatória.