Os líderes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, respectivamente, se encontraram nesta quarta-feira (20) em Pequim, onde elogiaram o progresso nas relações estratégicas entre os dois países. A recepção a Putin contou com uma guarda de honra e uma salva de tiros no Grande Salão do Povo, enquanto crianças agitavam bandeiras de ambas as nações. Além das discussões formais, está previsto um encontro informal entre os dois líderes para um chá ao final do dia.
A reunião acontece logo após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China, o que torna a imagem e os desdobramentos deste encontro entre Xi e Putin ainda mais relevantes. Durante o encontro, Xi Jinping enfatizou a necessidade de focar em uma estratégia de longo prazo, promovendo um sistema de governança global que seja “mais justo e razoável”. Ele observou que a confiança política mútua e a cooperação estratégica foram essenciais para o fortalecimento das relações entre os países.
Por sua vez, Putin destacou que a colaboração entre China e Rússia é fundamental para garantir a estabilidade global, reiterando que a Rússia se mantém como um fornecedor confiável de energia, especialmente em um contexto de crise no Oriente Médio. O presidente russo afirmou que, mesmo diante de desafios externos, a dinâmica econômica entre os dois países continua positiva e convidou Xi para uma visita à Rússia no próximo ano.
Xi Jinping, conhecido por suas reuniões informais com líderes estrangeiros, costuma oferecer chá em um ambiente descontraído, o que pode ser interpretado como um sinal de respeito e consideração. Em uma ocasião anterior, em maio de 2024, Xi e Putin tomaram chá ao ar livre, dispensando gravatas. O contraste com a visita de Trump, que foi acompanhada por uma delegação de alto nível, ilustra a importância das interações pessoais entre os líderes.
O Kremlin expressou grandes expectativas para a visita de Putin, que incluirá não apenas conversas, mas também uma cerimônia de assinatura de aproximadamente 40 documentos e um banquete, seguido por um chá onde as questões internacionais serão discutidas de forma mais informal. Entre os tópicos a serem abordados, está a negociação do gasoduto Força da Sibéria 2, que deverá conectar a Rússia ao norte da China.
A parceria entre China e Rússia, descrita como “sem limites”, tem se fortalecido especialmente após a imposição de sanções ocidentais à Rússia devido à guerra na Ucrânia. A escassez de energia relacionada ao conflito no Irã pode reforçar o argumento russo em favor do gasoduto como uma fonte de gás a longo prazo, embora Pequim esteja interessada em diversificar suas fontes de fornecimento.