O uso de medicamentos injetáveis para emagrecimento tem crescido no Brasil, mas além dos efeitos mais conhecidos, como náuseas e desconfortos gastrointestinais, um sintoma menos comentado começa a chamar a atenção: a alteração no hálito.
De acordo com a médica Barbara Franz Luvison, especialista em Endocrinologia e Metabologia e docente do curso de Medicina da Universidade Positivo, esse efeito pode ocorrer em alguns pacientes, principalmente como consequência indireta das mudanças provocadas pelo medicamento no organismo.
“Essas medicações deixam o esvaziamento do estômago mais lento, o que pode causar refluxo, sensação de estômago parado e constipação. Esse conjunto de fatores pode favorecer alterações no odor bucal”, explica.
Além disso, a própria mudança alimentar induzida pelo tratamento pode contribuir para o quadro. A redução de calorias e carboidratos pode levar ao chamado hálito cetônico, caracterizado por um cheiro mais adocicado, semelhante à acetona.
Nem sempre é causado pelo medicamento – Apesar da relação, a especialista reforça que a principal causa de alterações no hálito ainda é de origem bucal, como problemas na gengiva, língua ou dentes.
“A medicação pode desencadear ou intensificar o problema por vias indiretas, mas não substitui a necessidade de avaliação odontológica”, destaca.
Segundo ela, embora os efeitos gastrointestinais sejam comuns, a alteração no hálito tende a aparecer em uma parcela menor dos pacientes.
“É possível, mas não é a regra. Esse efeito costuma estar associado a sintomas como refluxo ou a dietas muito restritivas”, afirma.
O que pode causar a alteração no hálito – Entre os principais fatores relacionados ao uso das canetas emagrecedoras estão:
- Esvaziamento gástrico mais lento, que favorece a fermentação dos alimentos
- Cetose, decorrente da queima de gordura
- Redução da saliva (boca seca), que facilita a proliferação de bactérias
- Refluxo e arrotos, que podem levar odores do estômago à boca
É possível evitar? – A boa notícia é que, na maioria dos casos, o problema pode ser controlado com ajustes simples na rotina.
Manter uma boa hidratação, fracionar as refeições, reforçar a higiene bucal — especialmente da língua — e evitar alimentos que causam fermentação são algumas das principais recomendações. Além disso, aguardar algumas horas antes de dormir após as refeições pode ajudar a reduzir o refluxo e melhorar o odor bucal ao acordar.