Jovens voltam a priorizar atuações na área da saúde e buscam por impacto social
Durante os últimos anos, a busca por cursos de graduação considerados mais tradicionais, como a faculdade de medicina e outras carreiras da área da saúde, voltou a crescer entre os jovens, mesmo em um cenário contemporâneo dominado pelas profissões ligadas à tecnologia, à inteligência artificial e à programação.
Parte desse movimento acompanha mudanças no comportamento da geração Z, que passou a priorizar fatores como estabilidade, propósito profissional, bem-estar e impacto social na escolha da carreira.
Um estudo publicado em 2024 pela Sociedade Nacional de Acadêmicos do Ensino Secundário dos Estados Unidos (NSHSS) apontou que 32% dos jovens entrevistados colocaram a saúde como a principal área de interesse profissional.
No Brasil, a pesquisa “Captação de Alunos no Ensino Superior Brasileiro 2025”, divulgada pelo Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), também identificou a área de saúde e bem-estar como uma das mais buscadas entre os estudantes, concentrando 28,2% das intenções de graduação.
Mas, afinal, quais são as possibilidades dentro dessa seara?
Profissões mais buscadas na área da saúde que vão além da faculdade de medicina
A medicina segue entre as carreiras mais concorridas do país, mas outros cursos da saúde ampliaram o número de estudantes nos últimos anos, acompanhando o envelhecimento da população e o crescimento da demanda por saúde mental, reabilitação física e cuidados contínuos no mercado de trabalho.
Dados do Censo da Educação Superior 2023, divulgados em 2024 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostram que os cursos da área da saúde seguem entre os que mais concentram matrículas no ensino superior brasileiro, que atualmente reúne cerca de 9,9 milhões de estudantes.
Entre os principais destaques, estão:
- enfermagem, com cerca de 472 mil matrículas;
- psicologia, com cerca de 343 mil matrículas;
- educação física, com cerca de 283 mil matrículas;
- medicina, com cerca de 266 mil matrículas;
- fisioterapia, com cerca de 143 mil matrículas.
O cenário tende a seguir crescendo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a demanda global por profissionais da saúde deve continuar aumentando até 2030, principalmente em áreas ligadas a cuidado contínuo, saúde mental e terapias de reabilitação.
Como escolher uma carreira na área da saúde?
Escolher uma profissão na saúde envolve fatores que vão além, por exemplo, da afinidade com biologia e áreas ligadas às ciências da saúde ou do interesse por hospitais e pelo funcionamento do corpo humano. Existem diferenças importantes entre áreas clínicas, laboratoriais, estéticas, terapêuticas e comunitárias, além de rotinas bastante distintas entre os cursos. Tudo isso precisa ser levado em consideração.
Nesse processo de descoberta, buscar orientação vocacional, conversar com profissionais da área e analisar a grade curricular ajudam a tomar uma decisão mais consistente. A escolha de uma faculdade de medicina, por exemplo, costuma exigir avaliação sobre carga horária, tempo de formação e possibilidades de especialização, além de, é claro, as referências e o funcionamento da instituição de ensino desejada.
Entender como é o campo de atuação de cada profissão e as oportunidades de mercado é um fator crucial para tomar uma decisão mais alinhada aos objetivos pessoais e profissionais.
Alguns pontos ajudam nesse processo, como:
- entender se há preferência por atendimento direto ao paciente ou atuação em pesquisa e laboratório;
- avaliar afinidade com áreas clínicas, preventivas ou terapêuticas;
- pesquisar tendências de mercado;
- conversar com estudantes e profissionais da área;
- analisar infraestrutura, estágios e reconhecimento da instituição de ensino desejada;
- considerar a rotina e as perspectivas salariais.
Também é comum que os interesses mudem durante a graduação, principalmente após os primeiros estágios e as experiências práticas.
Novos destaques na área
Nos últimos anos, áreas ligadas a saúde mental, reabilitação e envelhecimento populacional passaram a ganhar mais espaço, especialmente após a pandemia de Covid-19. A Organização Mundial da Saúde (OMS) vem alertando para o crescimento global de transtornos como ansiedade e depressão, ampliando a demanda por profissionais de psicologia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.
Ao mesmo tempo, a expansão da telemedicina, da atenção domiciliar e dos atendimentos multidisciplinares diversificou ainda mais os caminhos profissionais dentro da área da saúde.
Assim, a escolha por uma carreira na saúde envolve diferentes possibilidades de atuação, formações e rotinas profissionais. Em um setor que segue em expansão, compreender as particularidades de cada área ajuda os estudantes a tomar decisões mais alinhadas aos próprios interesses e objetivos de longo prazo.