Mudanças nos hábitos de vida e no padrão alimentar da população estão relacionadas ao aumento de doenças inflamatórias intestinais, alertam especialistas do Eco Medical Center no Maio Roxo
A correria do dia a dia e a busca por praticidade fizeram dos alimentos ultraprocessados uma presença cada vez mais comum na rotina dos brasileiros. Apesar de terem origem multifatorial, as Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) são frequentemente associadas aos hábitos alimentares modernos e ao estilo de vida contemporâneo. O alerta ganha força durante o Maio Roxo, mês de conscientização sobre o tema.
Os casos de DIIs, como a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, cresceram mais de 230% no Brasil em menos de uma década. O dado é de um estudo publicado na renomada revista científica The Lancet, que analisou mais de 212 mil pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2012 e 2020. O levantamento aponta, ainda, que a maior concentração de casos está nas regiões Sul e Sudeste do país.

Além dos hábitos alimentares, outros fatores possuem forte associação ao alto índice dessas condições. Predisposição genética, obesidade, alterações na microbiota intestinal, tabagismo e o uso excessivo de antibióticos contribuem diretamente para o desenvolvimento do quadro. “Apesar dos avanços na medicina, ainda não existe uma causa única definida, o que reforça a complexidade dessas doenças”, explica o coloproctologista Matheus Bassani, do Eco Medical Center (EMC), em Curitiba.
Desafios no diagnóstico
O especialista esclarece que o grande desafio clínico reside no fato de que muitos dos sintomas iniciais são confundidos com condições gastrointestinais mais comuns e rotineiras, como intolerâncias alimentares, gastrite, síndrome do intestino irritável ou infecções passageiras.
Essa similaridade costuma atrasar o diagnóstico correto. “Por isso, sintomas persistentes, principalmente quando associados à perda de peso, anemia ou presença de sangue nas fezes, devem sempre ser investigados por um especialista”, alerta o médico.
Outros sinais de alerta que merecem atenção contínua são: diarreia crônica (que pode vir acompanhada de sangue e muco), cansaço crônico sem motivo aparente e dor abdominal crônica sem causa esclarecida.
Por outro lado, hábitos saudáveis atuam como importantes aliados na prevenção e no controle. “É possível reduzir significativamente os riscos da doença e melhorar o manejo dos sintomas com uma alimentação equilibrada, atividade física regular, controle do estresse, boa qualidade do sono e evitando o tabagismo”, reforça a coloproctologista Diesica Prochnow, que também integra o corpo clínico do Eco Medical Center.
Diferenças e a importância do diagnóstico precoce
Embora frequentemente citadas juntas, a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa possuem características distintas. A Doença de Crohn pode comprometer qualquer trecho do trato gastrointestinal, da boca ao ânus. Já a retocolite ulcerativa concentra-se especificamente no intestino grosso e no reto. Ambas, contudo, compartilham sintomas severos como diarreia persistente, dores abdominais, urgência evacuatória, perda de peso e fadiga extrema. “Em alguns casos, também podem surgir manifestações extraintestinais, como dores articulares, lesões na pele e alterações oculares”, detalha Bassani.

Fonte e fotos: Assessoria de Imprensa.