O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas associações entre um possível acordo com o Irã e a adesão de países árabes aos Acordos de Abraão, que buscam normalizar as relações destes com Israel. A declaração foi veiculada em uma extensa publicação nas redes sociais, reabrindo o debate sobre as perspectivas de um entendimento diplomático no Oriente Médio.
Na declaração, Trump mencionou que países como Catar e Arábia Saudita deveriam estabelecer relações diplomáticas com Israel como parte de um possível acordo entre Washington e Teerã. A TV estatal iraniana chegou a mencionar um memorando de entendimento em negociação, onde o bloqueio militar americano a portos iranianos seria suspenso em troca da retomada do tráfego no Estreito de Ormuz em até 30 dias. Entretanto, a Casa Branca refutou essa informação, chamando-a de “invenção completa”.
A viabilidade dos Acordos de Abraão, no entanto, é vista com ceticismo por especialistas. O professor de Relações Internacionais da ESPM e da Unifa, Gunther Rudzit, observou que a Arábia Saudita tem se distanciado da normalização com Israel desde o início dos conflitos na região. Recentemente, o país firmou uma aliança militar com o Paquistão e declarou que a normalização só seria possível com a criação de um Estado palestino. Rudzit afirmou que, diante da postura do governo de Benjamin Netanyahu, a possibilidade de um Estado palestino é praticamente nula, o que torna as chances de um acordo zero.
Além disso, o analista Lourival Sant’Anna destacou que a atuação militar dos Estados Unidos tem sido contida. Embora tenham abatido quatro drones iranianos, essa ação não representa uma retomada de bombardeios. Ele ressaltou que Trump enfrenta limitações legais e políticas que restringem suas opções. Segundo a Constituição americana, sem a aprovação do Congresso, após 60 dias, o governo não pode lançar novas ofensivas, prazo que terminou em 28 de abril.
Em meio a essas tensões, a Arábia Saudita recebeu recentemente 6 mil soldados e um esquadrão de caças do Paquistão, o que é visto como um sinal de aproximação entre os dois países, ambos com interesses em relação a Israel. Sant’Anna concluiu que isso representa apenas o início de mudanças significativas na região.
Paralelamente, Israel tem expandido sua atuação militar no Líbano, apesar do cessar-fogo vigente. As Forças de Defesa de Israel consideram toda a região abaixo do rio Zahrani como zona de combate contra o Hezbollah. Essa área abrange cerca de 2 mil quilômetros quadrados, correspondendo a aproximadamente 20% do território libanês, mais que o dobro do que se considerava anteriormente.