O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) avaliou a recente decisão do governo dos Estados Unidos, que classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A entidade considerou essa medida um ato soberano, mas expressou preocupação com a forma como está sendo utilizada no debate político brasileiro e seus possíveis efeitos sobre a soberania nacional e a cooperação internacional.
A decisão foi divulgada após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Casa Branca, onde se reuniu com o presidente Donald Trump, o vice-presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio. Em uma nota emitida na quinta-feira (28), o FBSP lamentou que um tema de grande relevância, que afeta a autonomia do Brasil, sua economia e seu sistema financeiro, tenha sido apropriado por disputas eleitorais no país.
O Fórum destacou que a situação relacionada ao crime organizado é complexa e não pode ser resolvida por medidas unilaterais. A nota advertiu sobre os riscos que essa abordagem pode trazer para a economia brasileira, enfatizando a necessidade de uma análise mais aprofundada das implicações da decisão dos EUA.
Além disso, o FBSP ressaltou a importância da colaboração contínua entre Brasil e Estados Unidos no enfrentamento do crime organizado. Historicamente, os dois países mantêm uma longa tradição de cooperação policial, especialmente na troca de informações de inteligência e no combate à lavagem de dinheiro, atividades que devem continuar a ser priorizadas.
Em relação ao cenário interno, a entidade criticou o apoio de diversos setores políticos à medida, apontando que isso demonstra uma visão redutiva e desconectada das verdadeiras tarefas que o Poder Público deve enfrentar para recuperar territórios e regular mercados que estão sob influência do crime organizado. O FBSP enfatizou a necessidade de estratégias mais eficazes e integradas, que considerem as realidades do país e os desafios impostos por organizações criminosas que atuam em setores como fintechs, apostas e criptoativos.