O futebol brasileiro atravessa um momento de grande movimentação financeira, com receitas em ascensão e investimentos recordes em jogadores. Entretanto, um estudo recente, oriundo do Relatório Convocados 2026, elaborado pela Convocados Gestão e Futebol, Outfield, e com apoio da Galapagos Capital, expõe uma realidade que combina crescimento com preocupações significativas. O documento destaca que, se as regras definitivas do fair play financeiro estivessem em vigor, quase 50% dos clubes da Série A não conseguiriam cumprir os requisitos necessários.
A análise foi realizada a partir do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), instituído pela CBF e supervisionado pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). Este sistema visa monitorar o cumprimento de obrigações financeiras, o equilíbrio entre receitas e despesas, os gastos com o elenco e os índices de endividamento, estabelecendo punições que podem variar desde advertências e multas até a perda de pontos e rebaixamento em situações mais graves.
O relatório também ressalta que a avaliação não possui caráter oficial e não representa um julgamento da ANRESF, uma vez que muitos clubes ainda não apresentam todos os dados no formato requerido pelo SSF. Por isso, foi criada uma categoria intermediária para aqueles que não fornecem informações suficientes para uma análise conclusiva. Assim, o estudo se configura como uma prévia dos desafios que o futebol brasileiro enfrentará nos próximos anos.
A pesquisa conduzida por Cesar Grafietti revelou que apenas sete clubes estariam em conformidade com os critérios finais do sistema, sendo eles Bahia, Flamengo, Fluminense, Juventude, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino. O Mirassol, em particular, se destaca por ter conseguido aliar competitividade em campo com um controle financeiro eficiente, tornando-se um exemplo positivo dentro do estudo.
As implicações do levantamento indicam que a implementação do fair play financeiro poderá transformar a gestão dos clubes brasileiros. O sistema estipula limites para os gastos com elencos, exige que as receitas sejam compatíveis com as despesas e cria mecanismos para controlar as dívidas de curto prazo. Em sua aplicação total, os clubes da Série A não poderão ter custos com elenco superiores a 70% das receitas e dívidas de curto prazo acima de 45% da arrecadação.
A mensagem central do relatório é clara: mesmo com o crescimento contínuo do futebol como uma indústria, o aumento das receitas por si só não garante a sustentabilidade financeira. Em um cenário com regras mais rigorosas, a diferença entre o sucesso e o fracasso poderá depender menos do tamanho da torcida ou da quantidade investida em contratações, e mais da habilidade em transformar recursos financeiros em uma gestão eficaz.