O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esclareceu os motivos que o levaram a não comparecer à Marcha Para Jesus, realizada em São Paulo no feriado de Corpus Christi, nesta quinta-feira (4). Em um vídeo compartilhado nas redes sociais do advogado-geral da União, Jorge Messias, Lula afirmou que, em épocas eleitorais, prefere não se envolver em eventos religiosos para evitar a impressão de que busca tirar proveito político de questões sagradas.
"Eu vou lhe contar por que eu não vou. Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque eu não quero passar a ideia de que eu estou tentando tirar proveito político de coisa sagrada", explicou o presidente em sua declaração.
Com a sua decisão de não participar, Lula evitou um encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário político, que esteve presente na Marcha. Flávio discursou em um carro de som ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Embora os políticos compartilhassem o mesmo espaço, Jorge Messias, que também fez uma fala durante o evento, manteve-se afastado dos representantes bolsonaristas. A Marcha Para Jesus, que teve a sanção de Lula em 2009, contou ainda com a presença de outros líderes políticos, incluindo o ministro do STF, André Mendonça, e os deputados estaduais André do Prado (PL-SP) e Lucas Bove (PL-SP), além dos deputados federais Sóstenes Cavalcanti (PL-RJ) e Guilherme Derrite (PP-SP).
Esse evento religioso atraiu a atenção não apenas por sua relevância espiritual, mas também pelo contexto político em que ocorreu, refletindo as divisões atuais no cenário nacional. A participação de figuras proeminentes do governo e da oposição ressalta a complexidade das relações entre política e religião no Brasil contemporâneo.