Irã refuta acusações do Líbano sobre uso do país como moeda de troca

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, manifestou-se neste sábado (6) contra as declarações feitas pelo presidente libanês, Joseph Aoun, que sugeriu que o Líbano estaria sendo utilizado como moeda de troca nas negociações entre Teerã e os Estados Unidos. Araghchi, em uma publicação na plataforma X, afirmou que "se o Líbano fosse uma moeda de troca, já teríamos um acordo há muito tempo".

Ele criticou a declaração de Aoun, insinuando que, se o Irã realmente tivesse ocupado uma parte do Líbano, os libaneses estariam em uma situação bem pior. "Com base nos comentários do Sr. Aoun, alguém pensaria que é o Irã que ocupa 1/5 do Líbano, desloca 1/4 dos libaneses e bombardeia seu país diariamente. Salve o Líbano do seu verdadeiro inimigo, Sr. Presidente", ressaltou Araghchi.

As críticas do chanceler iraniano surgem em resposta a uma entrevista de Aoun à CNN, na qual ele acusou o Irã de usar o Líbano como uma ferramenta em sua luta contra os Estados Unidos e Israel. Durante a conversa, Aoun pediu que o Irã cessasse sua interferência nos assuntos internos do Líbano, afirmando que o povo libanês está "farto" do conflito entre Israel e o Hezbollah.

Aoun ainda declarou: "Vocês não estão tentando nos ajudar… o povo do Líbano está pagando o preço… em nome de seus próprios interesses", enfatizando que os interesses do Líbano não coincidem com os do Irã. Além disso, o presidente libanês fez críticas à Guarda Revolucionária Islâmica, afirmando que o Líbano é "o nosso país" e não do Irã.

A troca de declarações entre os dois países ocorre em um contexto de crescente tensão na região. Recentemente, o Irã intensificou suas ações no Oriente Médio, incluindo uma série de ataques retaliatórios, além de tomar medidas que afetaram o Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica que é responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo mundial.

Essas tensões se intensificaram após o governo de Donald Trump realizar um acúmulo militar significativo no Oriente Médio, o maior desde a invasão do Iraque em 2003. Na época, Trump acusou o Irã de rejeitar oportunidades de negociar um novo acordo nuclear, levando a uma escalada de conflitos na região. A guerra que começou em fevereiro foi precedida por protestos em massa contra o regime iraniano, que foram impulsionados por descontentamento econômico e aumento dos preços.

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