Moraes exige explicações sobre operação policial no Rio de Janeiro

Agência

Ministro do STF dá 48 horas para governo responder após megaoperação letal

Alexandre de Moraes deu 48 horas para o governo do Rio se explicar sobre operação que resultou em muitas mortes.

Em uma ação que choca a sociedade brasileira, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deu um prazo de 48 horas para que o governo do Estado do Rio de Janeiro e a Justiça fluminense apresentem informações detalhadas sobre a megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, realizada no fim de outubro. Essa operação é considerada a mais letal da história do país, levantando sérias questões sobre a atuação da polícia em comunidades carentes.

As determinações de Moraes surgem após uma série de relatos alarmantes de moradores e familiares das vítimas, que falam sobre execuções sumárias e dificuldades no acesso aos corpos. Essas denúncias levantam preocupações sobre possíveis violações de direitos humanos durante a operação. Famílias afetadas, entidades civis e o Ministério Público têm apontado inconsistências nos dados oficiais divulgados pelo governador Cláudio Castro e pela Secretaria de Segurança Pública.

O ministro Moraes não apenas exigiu explicações, mas também a preservação integral das provas periciais. Isso inclui laudos necroscópicos, imagens de câmeras corporais utilizadas pelos agentes e relatórios de inteligência que embasaram os mandados de busca contra membros do Comando Vermelho. Além disso, Moraes suspendeu um inquérito que investigava familiares que tentaram transportar os corpos para fora das comunidades, solicitando explicações ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que havia barrado o Ministério Público Federal de investigar a operação.

Essas decisões fazem parte da ADPF das Favelas, uma ação essencial que questiona a atuação policial em comunidades cariocas e estabelece parâmetros para intervenções policiais. Moraes assumiu temporariamente a relatoria do processo após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, trazendo nova atenção a questões de direitos humanos nas favelas.

Na última segunda-feira, Moraes teve uma reunião importante com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e com os procuradores-gerais de Justiça dos estados. Após essa reunião, o ministro se encontrou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para discutir o Marco do Crime Organizado, um projeto legislativo que visa reforçar o combate às facções criminosas no Brasil. A expectativa é que esse projeto seja votado ainda esta semana, apesar das tensões entre governo e oposição e do esvaziamento do Congresso devido à COP30.

A situação gera um cenário de grande tensão e expectativa na política brasileira, refletindo a necessidade urgente de debater e resolver as questões relacionadas à segurança pública e aos direitos humanos nas comunidades vulneráveis. As próximas horas serão cruciais para que o governo do Rio de Janeiro apresente as informações exigidas e para que a sociedade civil acompanhe as repercussões dessa megaoperação policial.

Fonte: agenciavoz.com.br

Fonte: Agência

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