PT SE dirige a evangélicos com mensagem crítica ao uso da fé nas campanhas eleitorais

O PT (Partido dos Trabalhadores) apresentou, nesta segunda-feira (8), uma nova carta direcionada ao público evangélico, durante a realização do 4º Encontro Nacional de Evangélicos do partido. O documento enfatiza a intenção do diretório nacional em evitar a utilização da fé para fins eleitorais, destacando que a espiritualidade deve ser respeitada em suas dimensões éticas e comunitárias.

"Nosso compromisso não nasce do uso eleitoral na fé. Ao contrário, compartilhamos o entendimento de que a fé deve ser respeitada em sua dimensão espiritual, comunitária e ética. Como afirmou recentemente o presidente Lula, não se deve tirar proveito político de uma coisa sagrada", afirma um trecho da carta.

O evento, que aconteceu em Brasília e contou com a presença de militantes evangélicos, teve a leitura da carta por membros da banca, que mencionaram leis sancionadas por Luiz Inácio Lula da Silva voltadas à criação e ao livre culto de igrejas, além de decretos que reconhecem a música gospel como patrimônio nacional.

A carta também refuta a visão simplista que apresenta os evangélicos como um bloco homogêneo, afirmando que essa percepção não reflete a realidade: "Vivemos em um tempo em que os evangélicos são frequentemente apresentados como se formassem um bloco único, com uma única voz e uma única posição política. Essa imagem não corresponde à realidade".

Gutierrez Barbosa, coordenador do setorial interreligioso do PT e organizador do evento, destacou à CNN que as diretrizes apresentadas estão alinhadas com a vontade dos eleitores. Ele ressaltou que pesquisas internas indicam a rejeição de eleitores àqueles que utilizam a religião no ambiente político.

O desafio de conquistar o voto evangélico tem sido uma constante para o presidente Lula em períodos eleitorais, uma vez que pesquisas de intenção de voto apontam que este segmento tende a apoiar candidatos mais associados ao conservadorismo. Com a ascensão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas para a presidência, o campo progressista busca estratégias para atrair esse eleitorado.

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