Manifesto destaca insatisfação com mudanças no modelo de trabalho e demissões recentes.
Manifesto de funcionários do Nubank expressa descontentamento com mudanças no trabalho remoto e demissões.
Na noite da quarta-feira, 12, funcionários do Nubank, uma das maiores fintechs da América Latina, divulgaram um manifesto em resposta ao anúncio de mudanças no modelo de trabalho, que deixará de ser majoritariamente remoto para um formato híbrido a partir de 2026. O texto foi lido durante uma plenária virtual organizada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, que contou com a participação de quase 300 pessoas.
O Nubank, que não respondeu a solicitações de comentário até a publicação deste artigo, anunciou as mudanças no dia 6 de novembro. A decisão gerou descontentamento entre os funcionários, que se manifestaram durante uma apresentação ao vivo do CEO David Vélez, observada por mais de sete mil espectadores. No dia seguinte, 12 colaboradores foram demitidos por justa causa, e outros dois foram dispensados na segunda-feira, 10.
“Em total contraste com o discurso de valorização de feedbacks, diversidade e autonomia, o Nubank reagiu com punição aos trabalhadores que se opuseram ao novo regime de trabalho”, afirma o manifesto. Os funcionários expressaram que as mudanças afetam drasticamente suas vidas e a estabilidade financeira de suas famílias.
O manifesto exige a reversão das mudanças no formato de trabalho e a recontratação dos colaboradores demitidos. A insatisfação entre os funcionários foi acentuada pela falta de comunicação clara sobre as justificativas para as mudanças, o que levou muitos a se sentirem ameaçados e desconsiderados.
Um dia antes da divulgação do manifesto, David Vélez respondeu a um comentário no LinkedIn, sugerindo que alguns funcionários confundiram um canal corporativo com uma plataforma de interação social. O sindicato ressalta que muitos colaboradores escolheram trabalhar no Nubank devido à promessa de um modelo remoto, criando uma expectativa que agora está sendo desfeita.
Outra preocupação levantada foi a forma abrupta como a mudança foi comunicada, sem um embasamento em dados concretos. Os trabalhadores relataram que a mensagem transmitida foi clara: “ou aceita ou será demitido”, conforme declarado pela associação sindical.
Neiva Ribeiro, presidente do sindicato, afirmou que não aceitará retaliações contra os trabalhadores que manifestarem seu descontentamento. Ela enfatizou a necessidade de diálogo e a importância de ouvir as reivindicações dos funcionários durante as mesas de negociação. Uma reunião entre os representantes do sindicato e a direção do Nubank está marcada para a próxima quarta-feira, 19.
O que diz o manifesto
O manifesto assinado por várias entidades do Nubank, que atuam em países como Brasil, Colômbia e México, expressa repúdio ao fim unilateral do trabalho remoto e às demissões. Os trabalhadores ressaltam que essas decisões foram tomadas sem qualquer negociação prévia. Além disso, destacam que a gestão optou por punições ao invés de promover o diálogo, o que é inaceitável para a cultura da empresa.
Os colaboradores afirmam que o trabalho remoto não apenas mantém a produtividade, mas também promove um ambiente de trabalho diversificado e inovador. A imposição do retorno ao escritório, segundo eles, impacta negativamente a vida de quem depende do modelo remoto, especialmente cuidadores familiares e pessoas com deficiência.
O manifesto termina com uma convocação à união de todos os funcionários do Nubank na luta pela reversão das mudanças e pela recontratação dos demitidos, reafirmando o direito à manifestação e à organização coletiva dos trabalhadores. A pressão sobre a empresa cresce, e muitos esperam que as negociações tragam um resultado favorável para todos os envolvidos.
Fonte: nossodia.com.br
Fonte: Agência