Áudios vazados indicam que agressões foram motivadas por falta de pagamento em bar
Áudios vazados indicam que o assassinato de Alice Martins Alves pode ter sido motivado por uma dívida de R$ 22.
Assassinato de mulher trans em MG expõe violência e discriminação
Áudios vazados revelam a possível causa do assassinato de Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, que foi espancada no dia 23 de outubro na Savassi, Belo Horizonte (MG). As gravações, nas quais a CNN Brasil teve acesso, foram feitas por um funcionário de um estabelecimento que a vítima costumava frequentar. A situação evidencia não apenas um crime brutal, mas também a marginalização enfrentada pela comunidade trans.
“A gente podia vender pra ela que ela pagava na mesma hora, mas, dessa vez, ela saiu sem pagar, aí os meninos foram atrás dela e bateram nela até quase morrer. Aí morreu ‘fraga'”, afirmou o homem, em áudio. Ele ainda comentou que conhecia Alice há muito tempo e que sempre a atendia com respeito. “Eu fiquei triste porque ela era cliente nossa. Se colocasse cerveja na mesa dela e cobrasse na hora, ela pagava. Não tinha porque bater nela não.”
A trajetória de Alice e o contexto do crime
Após as agressões, Alice ficou internada por duas semanas e morreu no dia 9 de novembro por complicações dos ferimentos. O trágico desfecho do caso levanta questões sobre a segurança e os direitos da população LGBTQIA+ no Brasil. Ao longo dos anos, o país tem enfrentado um aumento alarmante nos índices de violência contra pessoas trans.
A falta de proteção e a discriminação social contribuem para que crimes como o de Alice se tornem cada vez mais comuns. A sociedade precisa refletir sobre como garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos, independentemente de sua identidade de gênero.
Revelações sobre os agressores
Em um dos áudios, o homem revela que sabe quem foram os agressores. “Foram dois caras que bateram nela. Eles não estão nem vindo trabalhar. Eles sumiram. Eu ‘frago’ os dois. Tem muita gente que sabe. Os populares que estavam no dia, todos sabem”, disse. Essa declaração indica que a comunidade local está ciente dos envolvidos, mas ainda assim, a impunidade parece prevalecer.
A ausência de prisões até o momento é um reflexo da falha sistêmica na aplicação da justiça e na proteção das vítimas. Muitas vezes, os crimes de ódio permanecem impunes, perpetuando um ciclo de violência que precisa ser interrompido.
A resposta da Polícia Civil
A PCMG (Polícia Civil de Minas Gerais) informou que fará um pronunciamento sobre o caso, na manhã desta sexta-feira (14), na DHPP (Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção a Pessoa). Na ocasião, serão apresentados detalhes da investigação que apura o crime de feminicídio. A sociedade aguarda não apenas esclarecimentos, mas também ações efetivas que possam garantir justiça para Alice e para todos que sofreram violência por suas identidades.
O caso de Alice Martins Alves não é um evento isolado; representa um padrão de violência que precisa ser urgentemente abordado. As autoridades devem trabalhar para criar um ambiente onde todas as vidas tenham valor e onde o respeito à diversidade seja uma realidade vivida, e não apenas uma aspiração.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Redes Sociais