Ex-premiê de Bangladesh enfrenta veredito após repressão violenta a protestos estudantis
Sheikh Hasina, ex-primeira-ministra de Bangladesh, é condenada à morte por crimes contra a humanidade em veredito histórico.
A ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, foi condenada à morte nesta segunda-feira (17) por um tribunal local, após ser considerada culpada de crimes contra a humanidade relacionados à violenta repressão de protestos estudantis. O Tribunal Penal Internacional (TPI) de Bangladesh, composto por um painel de três juízes, determinou que Hasina incitou a execução de centenas de manifestantes durante as manifestações que culminaram em sua destituição em 2024.
No veredito, os juízes declararam que “Sheikh Hasina cometeu crimes contra a humanidade por sua incitação, ordens e omissão em tomar medidas punitivas”. Este julgamento foi marcado por momentos emocionantes, com a presença de familiares das vítimas, que aplaudiram ao ouvir a sentença. O tribunal apontou que a ex-premiê incitou seus partidários a eliminar os estudantes que protestavam, resultando na morte de cerca de 1.400 manifestantes e ferimentos em até 25 mil pessoas.
Repressão violenta e suas consequências
Os juízes relataram que ficou “cristalino” que Hasina não apenas incitou a violência, mas também ordenou ações brutais contra os manifestantes, incluindo o uso de armas letais, drones e helicópteros. Hasina, que nega as acusações, permanece em exílio autoimposto na Índia desde agosto do último ano, evitando comparecer ao tribunal em Dhaka. A sua defesa criticou o julgamento, alegando que houve violações do direito a um julgamento justo e devido processo legal. Recentemente, seus advogados levaram o caso ao Relator Especial das Nações Unidas sobre execuções extrajudiciais.
Contexto dos protestos
Os protestos que levaram à condenação de Hasina começaram como mobilizações pacíficas de estudantes contra cotas para empregos no setor público. Com o aumento da repressão, as manifestações se transformaram em um clamor nacional pela renúncia da então primeira-ministra. O governo de Hasina, que governou Bangladesh com mão de ferro desde 2009, enfrentou uma pressão crescente que culminou na sua queda em 2024. A brutalidade das forças de segurança durante os protestos foi amplamente documentada, levantando preocupações sobre direitos humanos no país.
Repercussões políticas
O veredito contra Hasina pode provocar uma onda de instabilidade política em Bangladesh, especialmente com as eleições nacionais marcadas para fevereiro do próximo ano. A Liga Awami, partido de Hasina, está sob pressão, e o atual governo interino já solicitou formalmente a extradição da ex-premiê. No entanto, o governo indiano não se manifestou sobre esse pedido, aumentando as incertezas sobre o futuro político da região.
A condenação de Sheikh Hasina representa um momento crucial na história política de Bangladesh, refletindo as tensões entre o governo e a sociedade civil, além de levantar questões sobre a justiça e a responsabilização de líderes por violações de direitos humanos.
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Fonte: Premiê de Bangladesh, Sheikh Hasina • Reuters