Desafios logísticos do agronegócio brasileiro representam custo de US$ 14 bilhões

O futuro da agricultura brasileira na próxima década está intimamente ligado à melhoria de sua infraestrutura logística, conforme aponta um relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulgado recentemente. O estudo destaca que os principais obstáculos à expansão do agronegócio no Brasil são as deficiências em armazenagem, transporte e escoamento, que limitam o crescimento do setor até 2034.

A agricultura brasileira tem avançado rapidamente em novas áreas produtivas, especialmente no Centro-Oeste e no Norte, mas essa expansão não foi acompanhada pelo desenvolvimento adequado de rodovias, ferrovias, portos, hidrovias e instalações de armazenagem. Como resultado, as ineficiências logísticas já correspondem a cerca de 30% dos custos de produção agrícola no país, com mais de 60% da malha rodoviária apresentando algum tipo de deficiência operacional.

A análise do USDA indica que o impacto econômico dessas limitações pode chegar a aproximadamente US$ 14 bilhões em 2025, refletindo em custos adicionais de frete, congestionamentos nos portos, restrições na armazenagem e prêmios logísticos ao longo da cadeia produtiva.

Em um cenário de forte crescimento do setor, as exportações brasileiras de produtos agropecuários alcançaram o montante de US$ 169 bilhões em 2025, com a China representando 33% desse total, o que equivale a US$ 55,2 bilhões. A União Europeia e os Estados Unidos também tiveram participações significativas, com 15% e 7%, respectivamente.

O relatório ressalta que a infraestrutura não tem acompanhado o ritmo da produção. A capacidade de armazenagem de grãos no Brasil cobre apenas entre 60% e 70% da produção total, enquanto Nos Estados Unidos essa capacidade é de cerca de 150% da produção anual. O déficit na capacidade de armazenagem é estimado em 134 milhões de toneladas.

Além disso, o documento faz referência às hidrovias da Amazônia, que são essenciais para a competitividade das exportações brasileiras. Entre 2010 e 2023, a participação do transporte hidroviário na movimentação de produtos agrícolas aumentou de 8% para 13%. Os rios Madeira, Amazonas e Tapajós se destacam como corredores logísticos importantes, mas enfrentam desafios como períodos de seca e restrições de calado, que geram custos adicionais.

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