Desvalorização do ouro ocorre com fortalecimento do dólar após decisão do Fed

O preço do ouro sofreu uma queda significativa nesta quinta-feira (18), acompanhando a desvalorização da prata. Os metais preciosos foram afetados pelas sinalizações do Federal Reserve (Fed), que resultaram em um fortalecimento do dólar, enquanto o mercado reage à confirmação do acordo entre os Estados Unidos e o Irã.

Na decisão unânime anunciada na quarta-feira (17), o Federal Reserve manteve as taxas de juros nos Estados Unidos entre 3,5% e 3,75%. Na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York, o ouro para agosto fechou em queda de 3,19%, cotado a US$ 4.245,90 por onça-troy. A prata para julho também recuou, apresentando uma perda de 6,3%, sendo negociada a US$ 66,31 por onça-troy.

A postura mais “hawkish” do Fed, na primeira reunião de Kevin Warsh como presidente, e a mudança nas expectativas do mercado quanto a futuras altas nas taxas de juros contribuíram para a pressão sobre os metais preciosos, conforme análise da TD Securities. O banco ainda destacou que o atual cenário macroeconômico está ofuscando qualquer alívio potencial gerado pela assinatura do memorando de entendimento entre os EUA e Irã, confirmada na noite da quarta-feira pelo presidente Donald Trump.

A sinalização de comprometimento do Fed em estabilizar os preços impulsionou o dólar, tornando o ouro mais caro para compradores fora dos Estados Unidos. O ING mencionou que essa comunicação do Fed diminui o apelo da tese do “debasement trade”, que no ano anterior havia dado suporte ao ouro, ao bitcoin e a outras moedas, como o franco suíço, em meio à expectativa de uma postura mais branda em relação à inflação. O banco acredita que essa possibilidade parece menos viável após a recente reunião.

O Saxo Bank também comentou sobre a situação, afirmando que as reações contrastantes demonstram a dificuldade do mercado em equilibrar os desafios macroeconômicos de curto prazo com o suporte estrutural de longo prazo para o ouro. Entretanto, dada a acentuada queda nos preços do petróleo, ainda não é possível determinar se as projeções de inflação do Fed para 2026 estão elevadas demais, o que poderia levar a revisões para baixo nos próximos meses.

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