Brasil enfrenta desafios na competitividade e cai no Ranking Mundial

O Brasil viu sua posição no Ranking Mundial de Competitividade 2026 despencar, agora ocupando a 65ª colocação entre 70 economias avaliadas. Este resultado marca uma queda de sete posições, representando o pior desempenho do país nos últimos anos, colocando-o ao lado de economias como Nigéria, Mongólia e Venezuela. O ranking é elaborado pelo IMD World Competitiveness Center em parceria com a Fundação Dom Cabral.

De acordo com Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, IA e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, um dos maiores desafios enfrentados pelo Brasil é o alto custo de fazer negócios. Essa situação dificulta a operação tanto de indústrias estabelecidas quanto de novas empresas. Além disso, ele ressalta a formação bruta de capital fixo como um fator crítico, já que as indústrias que buscam expandir sua capacidade produtiva encontram barreiras impostas pelo custo elevado do capital.

Outro aspecto alarmante é o aumento do endividamento das empresas, que têm buscado cada vez mais recorrer a dívidas para financiar suas estratégias de crescimento. Apesar dos resultados negativos, Tadeu enfatiza que o relatório deve ser encarado como uma oportunidade para identificar medidas que o Brasil precisa implementar para melhorar sua competitividade.

Carla Beni, conselheira do Corecon-SP, destaca que a queda no ranking reflete problemas estruturais e que o elevado custo do capital, as altas taxas de juros e as dificuldades de investimento impactam diretamente a competitividade do país. Ela também menciona obstáculos históricos, como a barreira linguística, considerando o Brasil um país de língua portuguesa em um ambiente global predominantemente anglófono.

A conselheira ainda chama atenção para o peso do serviço da dívida pública nas finanças do governo. Apesar de apenas 0,3% do orçamento federal serem destinados à ciência e tecnologia, cerca de 46% são usados para o pagamento de juros e amortizações da dívida, o que limita a capacidade do Brasil de investir em setores estratégicos que poderiam alavancar sua competitividade.

Embora o desempenho no ranking seja negativo, o Brasil mantém algumas vantagens competitivas, como a habilidade de atrair investimento estrangeiro e um bom potencial em energias renováveis. O país também ocupa a quinta posição em subsídios públicos, o que demonstra algumas áreas de força.

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