Desigualdade no mercado de trabalho afeta mulheres negras antes da marcha

Jovens Mulheres Negras e o Direito ao Trabalho Digno

Estudo revela que jovens negras recebem até 102% menos que jovens brancas

Estudo aponta que mulheres jovens negras enfrentam desigualdade salarial e alta taxa de desemprego.

Desigualdade no mercado de trabalho: um retrato preocupante das mulheres negras

Em um cenário alarmante, a desigualdade mercado de trabalho é especialmente severa para as jovens mulheres negras, conforme apontado por um estudo recente. No dia 24 de novembro de 2025, representantes de várias instituições se reuniram para discutir esses dados que antecedem a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras – Por Reparação e Bem Viver, marcada para o dia 25. A pesquisa revela que as mulheres jovens negras ganham até 102% a menos que suas contrapartes brancas, evidenciando as disparidades salariais que persistem no Brasil.

Taxas de desemprego e informalidade entre jovens negras

O levantamento feito a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) destaca que a taxa de desemprego entre as jovens mulheres negras chegou a 16%, o que é o dobro da taxa registrada para as jovens brancas. Além disso, a informalidade é uma realidade cruel: enquanto 32,4% das jovens brancas ocupam vagas informais, esse percentual sobe para 40,8% entre as jovens negras. Waldete Tristão, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), enfatizou que é essencial mobilizar a sociedade e promover mudanças estruturais para combater essa desigualdade.

Um panorama global da desigualdade racial e de gênero

A desigualdade não é uma questão apenas nacional. Barbara Barboza, da Oxfam Brasil, trouxe à tona que 16,4% das mulheres negras estão desempregadas em todo o mundo. Para as jovens que não estudam e não têm acesso a formação complementar, esse índice sobe para 26%. Barboza afirma que as dificuldades enfrentadas por essas mulheres não são resultado de falta de interesse, mas de barreiras estruturais que as impedem de acessar oportunidades de trabalho.

Iniciativas em prol da igualdade

Nailah Neves Veleci, do Ministério da Igualdade Racial, destacou iniciativas como o programa Lidera GOV, que visa aumentar a presença de negros e negras em cargos de liderança na administração pública. Além disso, o Plano Juventude Negra Viva foi mencionado como uma ação importante para atender as demandas desse público vulnerável, embora a falta de recursos continue sendo um desafio significativo na implementação de políticas públicas de igualdade racial.

Participação política e representação

A deputada Juliana Cardoso (PT-SP) lembrou que as cotas para participação de negros e negras nas eleições, em vigor desde 2020, têm sido um fator positivo para aumentar a representação na Câmara. Ela ressaltou que, apesar do crescimento, ainda não há uma cota mínima obrigatória de candidaturas para pessoas negras, como ocorre com a cota de gênero. Essa lacuna é uma oportunidade a ser explorada para fortalecer a representação negra na política.

Combate à discriminação no trabalho

Dercylete Lisboa Loureiro, do Ministério do Trabalho e Emprego, mencionou a criação da Coordenação Nacional de Combate à Discriminação e Promoção da Igualdade de Oportunidades no Trabalho. Essa estrutura, que passou a existir recentemente, é um passo importante para abordar as desigualdades laborais. Loureiro reconheceu que a instituição estava atrasada nesse aspecto, mas celebrou a atenção que o tema agora recebe.

Em suma, o debate acerca da desigualdade mercado de trabalho, que afeta principalmente as mulheres negras, é fundamental para traçar caminhos que conduzam a uma sociedade mais justa e igualitária. As iniciativas em curso, embora positivas, precisam de recursos e comprometimento para que se tornem efetivas e duradouras.

Fonte: www.camara.leg.br

Fonte: Jovens Mulheres Negras e o Direito ao Trabalho Digno

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