Com o início do período de entrega da declaração do Imposto de Renda 2025, especialistas alertam que a organização ao longo do ano é um dos principais fatores para evitar erros, inconsistências e problemas com a Receita Federal.
Segundo Filipe Eduardo Guedes, coordenador dos cursos de Gestão e docente de Ciências Contábeis do Centro Universitário FAPI, o IR não deve ser tratado como uma obrigação pontual, concentrada apenas no momento da declaração.
“O principal ponto é entender que o Imposto de Renda não se resolve apenas com a entrega no prazo. Ele depende de um controle consistente de documentos, rendimentos e despesas ao longo de todo o ano”, explica.
De acordo com o especialista, deixar a organização para a última hora aumenta significativamente o risco de omissões e inconsistências, como o esquecimento de rendimentos de dependentes, informes financeiros ou despesas dedutíveis — fatores que elevam as chances de cair na malha fina.
Organização faz diferença – Entre as boas práticas recomendadas está a criação de uma pasta física ou digital — preferencialmente em nuvem — para armazenar comprovantes ao longo do ano. Para quem mantém uma rotina de acompanhamento, revisões periódicas ajudam a reduzir retrabalho e correções durante o envio da declaração.
Além disso, o professor orienta que o contribuinte mantenha um acompanhamento contínuo de sua vida financeira, considerando mudanças como troca de emprego, inclusão de dependentes, despesas dedutíveis e novos investimentos.
Atenção às regras e ao patrimônio – Outro ponto de atenção são as mudanças nas regras tributárias, como faixas de isenção e limites de dedução, que podem impactar diretamente o resultado da declaração.
“Conhecer essas regras com antecedência evita surpresas no saldo final”, alerta Guedes.
A evolução patrimonial também deve ser compatível com a renda declarada. Aquisição de bens ou entrada de recursos sem justificativa adequada pode gerar questionamentos futuros da Receita Federal.
Previdência privada exige cuidado – Para contribuintes que possuem previdência complementar, é importante atenção ao tipo de plano e aos limites de dedução. No caso do PGBL, as contribuições podem ser deduzidas até 12% da renda bruta anual no modelo completo.
Já no VGBL, não há dedução, mas o saldo deve ser informado corretamente na ficha de bens. Erros nesse preenchimento são comuns e podem gerar pendências na análise da declaração.
Tecnologia como aliada – Ferramentas digitais também podem facilitar o processo. A utilização da declaração pré-preenchida, por exemplo, permite conferir dados já disponíveis na base da Receita Federal, reduzindo o risco de inconsistências.
“A tecnologia hoje joga a favor do contribuinte. O cruzamento de dados é automático e rápido, o que torna a organização e a transparência ainda mais importantes”, conclui.