Um alerta falso da Defesa Civil, enviado durante a madrugada de sábado (20), gerou apreensão em diversos usuários de celulares. A dúvida que pairou sobre muitos foi se os aparelhos que receberam a mensagem poderiam ser bloqueados.
Nelson Silva, cofundador e sócio da Prezensa, uma consultoria em tecnologia, minimizou esses riscos, afirmando que, do ponto de vista técnico, a ameaça é baixa. Ele destacou que a mensagem não continha links ou qualquer elemento que pudesse ser clicado, portanto, não havia possibilidade de instalação de software malicioso. Silva explicou ainda que a tecnologia utilizada para esses alertas, conhecida como Cell Broadcast, se diferencia do SMS e de notificações de aplicativos. A mensagem é enviada diretamente pela rede de telefonia, alcançando todos os dispositivos na área de cobertura sem que o usuário precise interagir para recebê-la.
Além disso, houve relatos de usuários em São Paulo e no Rio de Janeiro que também receberam SMS contendo a palavra “misantropi4”, mas sem links nas mensagens, que foram amplamente compartilhadas nas redes sociais.
Entretanto, Silva ressaltou que o verdadeiro risco reside na confiança da população no sistema de alertas. Ele comparou a situação ao conto do menino que gritou lobo, onde a repetição de falsos alarmes pode levar as pessoas a ignorarem avisos reais e urgentes no futuro. Essa quebra de confiança foi também mencionada por Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação, que enfatizou a importância social desse sistema.
O especialista ainda criticou a falta de segurança no processo de envio de mensagens, observando que um sistema eficaz deveria ter múltiplas etapas de aprovação antes da disseminação de um alerta. Essa falha pode servir como um aprendizado para aprimorar a cibersegurança do mecanismo de alertas.
Embora a mensagem falsa não tenha trazido riscos diretos aos usuários, é sempre prudente adotar boas práticas de segurança ao utilizar dispositivos móveis. Silva recomenda que os usuários mantenham seus sistemas operacionais atualizados, evitem clicar em links de remetentes desconhecidos e desconfiem de mensagens que criam um senso de urgência excessivo.