Keiko Fujimori avança com vantagem no segundo turno das eleições peruanas

Na noite de terça-feira, a candidata conservadora Keiko Fujimori consolidou uma vantagem significativa no segundo turno das eleições presidenciais do Peru, com 50,11% dos votos. Seu oponente, o candidato de esquerda Roberto Sánchez, obteve 49,88%. A diferença entre eles é de 43.386 votos, enquanto ainda restam 40.213 votos a serem contabilizados, conforme informações fornecidas pela ONPE, a autoridade eleitoral peruana.

Embora os resultados mostrem a liderança de Fujimori, a ONPE ainda não declarou oficialmente um vencedor, com a previsão de que isso ocorra em meados de julho. A esperada vitória da candidata representa uma continuação da tendência de direita que vem se intensificando na América Latina, especialmente após a eleição do outsider Abelardo De La Espriella na Colômbia no último domingo. O contexto político atual tem levado muitos eleitores a apoiar candidatos com posturas mais rigorosas em relação à criminalidade.

Em meio a esse cenário, Roberto Sánchez levantou a bandeira de suposta fraude eleitoral, embora não tenha apresentado evidências concretas para suas alegações. Ele afirmou que não reconheceria os resultados da eleição, o que pode desencadear uma crise política prolongada no país. Além disso, Sánchez havia solicitado a anulação de milhares de votos da contagem externa, que em sua maioria favoreciam Fujimori. No entanto, o pedido foi rejeitado pelo júri eleitoral nacional na mesma noite.

Os resultados do segundo turno enfrentaram atrasos devido a contestações sobre votos, à chegada tardia de cédulas do exterior e à margem estreita entre os candidatos. Keiko Fujimori encontrará um país com um histórico conturbado, que já teve oito presidentes em apenas oito anos, enfrentando desigualdades econômicas significativas entre a capital e as áreas rurais, além da crescente frustração dos cidadãos em relação aos políticos.

Dentre os oito ex-presidentes do Peru, nenhum completou um mandato inteiro, com três deles enfrentando impeachment e um renunciando após apenas seis dias no cargo. Além disso, quatro ex-presidentes estão atualmente detidos, e o pai de Fujimori, Alberto Fujimori, cumpriu uma pena de 16 anos por violações de direitos humanos durante seu governo nos anos 1990.

Diferentemente de sua postura anterior, onde se distanciava do legado paterno, Keiko Fujimori adotou uma imagem mais próxima de seu pai nesta eleição, apresentando-se como uma líder forte e capaz de trazer ordem e estabilidade em um momento de crescente violência, com taxas alarmantes de extorsão e homicídios.

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