O palco como sala de aula: A arte que transforma e empreende

Foto: Lays Gasperin (Sinergize).

Como o músico e ator Saulo Soull transformou a sensibilidade do teatro em um modelo de negócio pedagógico que conquista grandes colégios de Curitiba

 

 

 

O teatro sempre foi conhecido como o espaço do efêmero, onde o espetáculo ganha vida diante do público e desaparece quando as cortinas se fecham. Para o músico, ator e diretor Saulo Soull, no entanto, a inquietude artística pedia algo que ganhasse continuidade e fincasse raízes mais profundas. Foi dessa vontade que nasceu o Soull Studio, uma escola de teatro voltada para crianças e adolescentes que hoje gere unidades dentro de instituições de ensino tradicionais em Curitiba, como os colégios Medianeira, Dom Bosco e Assunção.

Parceiro de criação de longa data da renomada diretora Fátima Ortiz — a quem carinhosamente chama de sua “mãe teatral” e com quem assume recentemente a direção adjunta de um novo projeto na capital —, Saulo não vê o empreendedorismo como uma ruptura com a sua carreira nos palcos, mas como uma extensão natural dela. “A arte continuava sendo o caminho, mas agora através da arte-educação. Passei a perceber que existe uma beleza imensa em acompanhar o florescimento de outras pessoas”, pontua.

Longe de nascer de uma planilha fria de plano de negócios, a escola surgiu de um chamado. Em um mundo hiperconectado e de estímulos velozes, a proposta pedagógica do estúdio caminha na contramão do imediatismo digital.

“Vivemos um tempo de muita velocidade, respostas imediatas e excesso de estímulos. O teatro nos convida para outro lugar: o do encontro, da escuta e da presença. No Soull Studio, acreditamos muito nesse ‘tempo-teatral’, um tempo que não tem pressa, que permite observar, imaginar, criar, errar, tentar novamente e descobrir caminhos próprios”, explica o fundador.

A transição de artista independente para gestor de uma marca educacional exigiu desatar nós que a formação puramente artística não ensina. Lidar com fluxo de caixa, precificação, contratos e liderança de professores foram habilidades que Saulo precisou desenvolver “na marra”. Para ele, a virada de chave administrativa veio com uma nova perspectiva sobre a burocracia: “Talvez a maior lição tenha sido entender que gestão também é uma forma de cuidado. Quando a administração funciona bem, sobra mais energia para aquilo que realmente importa: o trabalho artístico e pedagógico.”

Manter a solidez do negócio sem deixar a essência poética morrer é o grande malabarismo diário do empresário. Dividido entre as funções de ator, compositor, fotógrafo e diretor de arte, Saulo enxerga seus múltiplos papéis como forças complementares, onde o artista dita o sonho e o gestor viabiliza a execução.

“Eu costumo dizer que o artista em mim voa. O gestor organiza, estrutura e encontra caminhos para que essas ideias possam existir de forma sustentável”, revela. Essa dualidade foi fundamental para bancar uma proposta autoral e conquistar a confiança de famílias e colégios tradicionais. Segundo ele, o diferencial que consolida a escola no mercado é justamente a capacidade de ouvir e dar voz às inquietações contemporâneas dos próprios alunos, conectando a técnica teatral ao desenvolvimento estritamente humano.

Apesar dos desafios inerentes ao ecossistema empreendedor brasileiro, a palavra desistência nunca fez parte do roteiro de Saulo. “Desistir do Soull Studio seria, de certa forma, desistir de mim mesmo, da minha alma, da minha arte e daquilo que acredito”, confessa.

Foto: Saulo Soull.

 

Três lições para quem quer começar

Para os profissionais que desejam tirar suas ideias do papel, mas ainda são travados pelo fantasma da instabilidade financeira, o artista e gestor compartilha três aprendizados práticos colhidos na transição do palco para as salas de aula:

  • Busque o propósito real: Encontre algo que faça sentido e sustente sua energia mesmo nos dias difíceis, pois empreender exige dedicação constante.

  • Não ignore a gestão: Entenda de finanças, processos e marketing. Compreender o funcionamento técnico do próprio negócio é vital para crescer.

  • Construa relações verdadeiras: Negócios são feitos por pessoas e para pessoas. Parcerias sólidas têm mais valor do que qualquer estratégia de curto prazo.

“O mundo continua sendo movido por sonhos. O olhar de um ator antes de entrar em cena tem um brilho muito particular. Eu acredito que o empreendedor também precisa preservar esse brilho”, finaliza Saulo.

Foto: Rodrigo Fonseca.

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Fonte: Assessoria de Imprensa. / Fotos: Rodrigo Fonseca, Lays Gasperin (Sinergize) e Saulo Soull.

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