Gastos fora do Orçamento afetam PIB brasileiro, alerta especialista

O cenário fiscal do Brasil enfrenta desafios significativos, evidenciados pelos dados recentes do Tesouro Nacional. Em uma entrevista ao WW, o pesquisador associado do Insper, Marcos Mendes, destacou que o relatório divulgado não abrange a totalidade dos gastos, deixando de fora uma parte substancial das despesas realizadas fora do Orçamento.

Mendes afirmou que o governo tem adotado “muita criatividade” para realizar gastos não registrados oficialmente. Um estudo do pesquisador revelou que as medidas implementadas desde a metade do ano passado provocaram um impacto superior a 1,5% do PIB, considerando expensas que não estão contabilizadas no orçamento formal. Ele enfatizou que o governo, que frequentemente menciona uma herança maldita, está deixando uma carga fiscal significativa.

O pesquisador também expressou preocupação com a falta de um ajuste fiscal efetivo, independentemente do resultado das eleições. Para estabilizar a trajetória da dívida pública, seria necessário transformar o déficit atual de 0,5% do PIB em um superávit que varia entre 1,5% e 2% do PIB, o que implica um ajuste fiscal de aproximadamente 4% do PIB.

Além disso, Mendes indicou que observa uma falta de disposição tanto do governo quanto da oposição para abordar questões fiscais difíceis, especialmente em um período eleitoral, onde tópicos desafiadores tendem a ser evitados.

O especialista também alertou sobre a vulnerabilidade externa do Brasil, que está suscetível a condições internacionais desfavoráveis. A valorização do dólar e a expectativa de aumento nas taxas de juros pelo banco central dos Estados Unidos podem intensificar a situação interna. Mendes advertiu que qualquer mudança negativa nesse cenário global pode resultar em sérios problemas econômicos para o país, potencialmente levando a uma crise.

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