Como a maternidade transformou a executiva Vanessa Cunha em empreendedora

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Após quase duas décadas no topo do mundo corporativo, especialista em RH redesenhou a própria carreira para conciliar o sucesso nos negócios com a presença real na vida dos filhos

 

 

O início da trajetória de Vanessa Cunha no universo de Recursos Humanos guarda uma dessas ironias bonitas que o destino costuma reservar. Aos 17 anos, diante do empresário Sr. Zinzer em uma indústria automotiva, ela ouviu uma pergunta inusitada: “Você tem medo de conversar com pessoas?”. Vanessa não tinha. Ali, ganhava um voto de confiança que mudaria sua vida e iniciava uma jornada de dez anos que define como sua verdadeira escola.

“Aprendi muito sobre processos, gestão e negócios. Mas o principal aprendizado que carrego até hoje é que as pessoas podem ir muito além da experiência que possuem naquele momento, desde que encontrem oportunidade, orientação e alguém que acredite nelas”, relembra Vanessa. “Eu sou resultado direto de pessoas que decidiram apostar no meu potencial quando eu ainda estava começando.”

Essa sensibilidade lapidou uma executiva de visão macro. Anos mais tarde, no segmento da saúde, Vanessa liderou processos complexos de fusões e aquisições (M&A) cruzando o Brasil. No “dia zero” de grandes transformações corporativas, ela compreendeu que o maior desafio de um negócio nunca é técnico. “Integrar empresas não é integrar processos. É integrar pessoas. O maior desafio era compreender a história daquela empresa antes de tentar construir o futuro dela”, pontua.

Se o mercado enxergava em Vanessa uma liderança consolidada, a vida pessoal trouxe o verdadeiro teste de adaptabilidade: a maternidade. Ao contrário do mito corporativo de que os filhos limitam a carreira, para ela, a chegada da primeira filha expandiu competências, trouxe escuta e coragem. No entanto, a rotina intensa de aeroportos cobrou um preço simbólico inesquecível.

Certo dia, sua filha de apenas quatro anos anunciou que iria “brincar de trabalhar” e que, para isso, precisaria pegar um avião. A naturalidade com que a criança associou o trabalho à ausência da mãe disparou um alerta profundo no coração da executiva.

“Perceber que uma criança de apenas quatro anos já tinha transformado a ausência em rotina me marcou profundamente. Minha filha não sofria, ela simplesmente entendia que trabalhar significava ficar longe por alguns dias. Aquilo abriu meus olhos. Eu queria construir uma vida em que sucesso profissional e presença familiar não precisassem competir entre si.”

A virada de chave definitiva veio em 2024. Grávida do segundo filho, Vanessa uniu estratégia e coragem: abriu o CNPJ pouco antes do parto e começou a atender os primeiros clientes de mentoria de carreira ainda durante a licença-maternidade, usando a segurança do vínculo empregatício para fazer uma transição responsável.

O negócio, que começou focado no cliente final (B2C), amadureceu e expandiu naturalmente para o mercado corporativo (B2B). Hoje, a consultoria de Vanessa estrutura RHs, recruta talentos e desenvolve lideranças sob a ótica de quem conhece as dores dos dois lados do balcão.

Para ela, o conceito de sucesso ganhou uma roupagem muito mais valiosa do que cifras ou cargos altos. “Hoje, sucesso é liberdade. Liberdade para buscar meus filhos na escola, acompanhá-los em uma consulta médica e viver momentos que não têm preço. Sucesso não é trabalhar menos: é construir uma vida em que o trabalho tenha um lugar importante, mas não seja o único protagonista da história.”

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Três dicas de ouro para empreender no Brasil

Para quem deseja trilhar o caminho do empreendedorismo sem perder o propósito ou a sanidade em um mercado tão desafiador, Vanessa destaca três pilares fundamentais:

  • Não espere o momento perfeito: “Se eu tivesse esperado sentir que estava completamente preparada, talvez nunca tivesse aberto meu CNPJ. Comecei grávida, sem clientes e com muitas dúvidas. O que fez diferença foi dar o primeiro passo e estar disposta a aprender durante o caminho.”

  • Não tente construir tudo sozinha: “No início, é comum acreditar que o empreendedor precisa dar conta de todas as áreas do negócio. Mas empreender também é reconhecer limites, buscar apoio e construir uma rede de relacionamento que fortaleça o negócio. Ninguém cresce sozinho.”

  • Defina a vida antes do negócio: “Defina primeiro a vida que você quer construir e depois construa um negócio que faça sentido para essa vida. Muitas pessoas criam empresas que acabam consumindo exatamente a liberdade que buscavam. Meu negócio precisa sustentar a vida que escolhi viver, e não me afastar dela.”

 

 

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Fonte: Vanessa Cunha. / Fotos: Divulgação.

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