Lamine Yamal e a celebração que simboliza suas raízes e fé

Lamine Yamal, considerado a grande revelação da seleção da Espanha nos últimos anos, busca conquistar o título da Copa do Mundo. Além de suas habilidades em campo, o atleta é um símbolo da diversidade no futebol. Em suas comemorações, ele realiza um gesto icônico com as mãos, que representa o número 304.

Nascido em Esplugues de Llobregat, na província de Barcelona, Lamine é filho de pai marroquino e mãe guinéu-equatoriana, e cresceu no bairro de Rocafonda, em Mataró, local que ele homenageia por meio de sua celebração. Rocafonda, situada a 30 quilômetros da Ciudad Condal, é uma comunidade multicultural e operária, com um forte histórico de imigração.

O bairro ganhou notoriedade durante a Eurocopa de 2024, quando Lamine, com apenas 16 anos, se tornou o jogador mais jovem a participar da fase final da competição, marcando um gol decisivo que levou a seleção às semifinais contra a França. O gesto que representa o número 304 remete aos três últimos dígitos do código postal de Rocafonda e está presente até mesmo nas chuteiras do jogador.

Entretanto, o bairro enfrenta hostilidades de políticos da extrema-direita na Espanha, que o descrevem de maneira pejorativa. O pai de Lamine, Mounir Nasroui, já se envolveu em conflitos ao defender a comunidade, incluindo um incidente em maio de 2023, quando atacou uma tenda do partido VOX, chamando-os de “racistas”. Após essa ação, ele foi julgado e obrigado a pagar uma multa.

Além da homenagem ao seu local de origem, Lamine também expressa sua fé nas comemorações. Ao marcar seu primeiro gol na Copa do Mundo, se igualando a Pelé como o segundo jogador a balançar as redes com 18 anos ou menos, ele fez um gesto repleto de significados religiosos. O jogador apontou para o céu e se curvou ao chão, tocando a testa, o nariz, as palmas das mãos, joelhos e pontas dos pés, prática conhecida como Sujud ou Sajdah, típica entre muçulmanos, reconhecendo a grandeza de Alá e demonstrando gratidão.

Recentemente, durante um amistoso preparatório contra o Egito, a seleção da Espanha foi alvo de cânticos preconceituosos por parte de torcedores, que gritavam “quem não pular é muçulmano”. Na sequência, Lamine se manifestou em suas redes sociais, afirmando que, embora a ofensa não fosse direcionada a ele pessoalmente, como muçulmano, considerou a situação uma falta de respeito e intolerância.

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