Aumento de ataques leva navios a desistirem de cruzar o Estreito de Ormuz

Pelo menos quatro navios petroleiros e transportadores de gás alteraram suas rotas e desistiram de cruzar o Estreito de Ormuz na manhã desta quarta-feira (8). A mudança ocorre em meio a uma série de ataques a embarcações na região, que elevaram as preocupações com a segurança marítima. A decisão foi tomada após um navio-tanque catariano de gás natural liquefeito (GNL) e um petroleiro de bandeira saudita terem sido danificados em incidentes ocorridos na terça-feira (7), quando relatos indicaram que o Irã disparou mísseis contra embarcações.

Como resultado da escalada de violência, as autoridades marítimas aumentaram o nível de risco para navios transitando pelo estreito, classificando-o como “grave”. As embarcações de GNL Al Ghariya, Duhail e Al Ruwais, que estavam a caminho do Estreito de Ormuz, mudaram de direção no final da terça-feira e se afastaram da área. Todas são operadas pela QatarEnergy e estavam vazias, com destino ao terminal de exportação de Ras Laffan, no Catar, para carregamento.

Além disso, dados indicam que um petroleiro de bandeira indiana, transportando 2 milhões de barris de petróleo bruto do Kuwait, fez uma manobra de retorno em “U” na ponta de Omã, nas proximidades do Estreito de Ormuz, nesta quarta-feira. Desde o início do conflito, que se intensificou no fim de fevereiro, pelo menos 16 carregamentos de GNL partiram de Ras Laffan, além de outros 10 do terminal de Das Island, da ADNOC, nos Emirados Árabes Unidos. Apesar disso, esse volume representa apenas uma fração das cerca de 7 milhões de toneladas métricas embarcadas mensalmente a partir desses polos de exportação.

A fila de navios vazios à espera de carregamento em Ras Laffan também aumentou, ultrapassando dez embarcações no início de julho, de acordo com analistas da Vortexa. No total, mais de 50 embarcações vazias, operadas pela QatarEnergy e pela ADNOC, estão posicionadas na região do Golfo, na Índia e no Estreito de Malaca. Algumas dessas embarcações mantêm os sistemas automáticos de identificação (AIS) desligados há mais de dez dias.

Apesar das tensões, pelo menos duas grandes embarcações conseguiram deixar o Estreito de Ormuz. O VLCC Tenjun, administrado pela Nippon Yusen, transportando 2 milhões de barris de petróleo bruto do Catar, deixou o estreito na terça-feira. Outro navio, o VLCC Pertamina Pride, da estatal indonésia Pertamina, também saiu da região na mesma data, embora com o transponder desligado. Essa embarcação carrega 2 milhões de barris de petróleo bruto da Arábia Saudita, que foram carregados no início de março.

As empresas envolvidas não comentaram sobre os incidentes ou sobre as operações dos navios.

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