Entenda como as empresas podem utilizar IA para antecipar a demanda, otimizar estoques e aumentar a eficiência durante grandes eventos esportivos
A Copa do Mundo movimenta bilhões de pessoas ao redor do planeta e provoca mudanças previsíveis nos hábitos de consumo. Segundo Fernando Murad, COO da StaryaAI, o torneio também se consolidou como uma oportunidade para que empresas utilizem inteligência artificial (IA) na previsão do comportamento do consumidor, antecipando demandas, reduzindo custos operacionais e tornando as decisões de negócio mais precisas.
Com previsão de alcançar cerca de 6 bilhões de espectadores em todo o mundo na edição de 2026, segundo projeções da FIFA, a Copa representa uma oportunidade estratégica para organizações que conseguem transformar grandes volumes de dados em decisões de negócio. Ao cruzar informações históricas de consumo, sazonalidade, comportamento digital, desempenho das seleções, interações em canais digitais e indicadores operacionais, algoritmos de inteligência artificial conseguem identificar padrões antes mesmo dos picos de demanda acontecerem.
“O valor da inteligência artificial está em transformar grandes volumes de dados em decisões. Quando analisamos comportamento do consumidor, recorrência, sazonalidade, taxa de conversão e sinais de engajamento de forma integrada, conseguimos prever cenários e orientar a operação antes dos picos de demanda, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência”, comenta o executivo.
Os reflexos desse comportamento já aparecem em estudos internacionais. Pesquisa da Statista aponta que cerca de 32% dos consumidores aumentam os gastos com alimentos e bebidas durante a Copa do Mundo. Levantamento da Morgan Stanley mostra que 28% dos torcedores pretendem consumir mais serviços de delivery durante o torneio. Já estimativas de mercado indicam que a competição deverá gerar o consumo adicional de mais de 1 bilhão de pints de cerveja em escala global. Relatórios da Nielsen, Circana e da FIFA Licensing também apontam crescimento da demanda por produtos licenciados, artigos esportivos, serviços de streaming e experiências digitais durante grandes eventos esportivos.
Para empresas de varejo, supermercados, plataformas de delivery, indústrias de bebidas, e-commerces e negócios digitais, esse comportamento representa uma oportunidade para utilizar inteligência artificial na previsão de demanda. Modelos preditivos conseguem identificar horários de maior movimento, regiões com maior potencial de consumo, produtos mais procurados e possíveis gargalos operacionais, permitindo ajustes em estoques, logística, campanhas de marketing e atendimento praticamente em tempo real.
“A inteligência artificial consegue antecipar movimentos de demanda quando cruza sinais históricos com padrões de comportamento e operação. Na prática, ela analisa volumes, recorrência, sazonalidade, canais de entrada, velocidade de resposta, taxa de conversão e mudanças de comportamento ao longo da jornada. Com isso, identifica padrões que dificilmente seriam percebidos apenas pela análise humana e permite que as empresas deixem de reagir aos acontecimentos para se preparar antecipadamente”, complementa Murad.
Ainda segundo o executivo, a análise preditiva também reduz prejuízos causados pelo excesso ou pela falta de estoque durante períodos de alta demanda. Entre as aplicações estão a previsão mais precisa do volume necessário de produtos, a otimização dinâmica dos pontos de reposição, a segmentação por categoria de itens (SKUs), a integração das previsões com fornecedores e o monitoramento contínuo da operação para ajustes rápidos diante de mudanças inesperadas no comportamento do consumidor.
Outro diferencial está na capacidade da IA de analisar dados que refletem o comportamento real dos clientes. “Histórico de compras, perfil de consumo, volume por canal de atendimento, taxas de conversão, recorrência de interações, tempo de resposta, abandono de jornadas digitais e níveis de engajamento são algumas das informações utilizadas para identificar tendências antes que elas gerem perdas de vendas ou problemas operacionais”, esclarece Murad.
Além do varejo, setores como marketing, serviços, tecnologia, operações financeiras, entretenimento e empresas com atuação multicanal também tendem a ser beneficiados pelo uso da inteligência artificial em eventos de grande audiência. A tecnologia permite personalizar campanhas, identificar os melhores momentos para ofertas, monitorar o sentimento do público em relação às marcas patrocinadoras e ajustar rapidamente as estratégias comerciais conforme a evolução da competição.
Na prática, esse potencial já gera resultados concretos. Um dos casos apresentados pela StaryaAI ocorreu na dr.consulta. A análise das interações realizadas pela agente virtual Gabi revelou uma demanda crescente por agendamentos que ainda não era plenamente atendida pela operação. A partir desse diagnóstico, foi criada a agente Lara, especializada nesse processo. Em pouco mais de um mês, a solução alcançou uma taxa de conversão de aproximadamente 10% em agendamentos. No conjunto da operação, os agentes de IA ultrapassaram 3 milhões de mensagens processadas, geraram cerca de 75 mil conversões, contribuíram para um crescimento superior a 60% da receita via WhatsApp e reduziram os custos em aproximadamente 75% em comparação com uma operação humana equivalente.
De acordo com Fernando Murad, os mesmos princípios utilizados durante a Copa do Mundo podem ser aplicados em outros períodos de alta demanda, como Black Friday, Natal, Dia das Mães, grandes shows, eventos esportivos e datas promocionais. “A IA deve ser encarada como uma infraestrutura de decisão. Quando integrada aos processos da empresa, ela acompanha padrões de demanda, identifica riscos de abandono, mede a capacidade operacional e apoia decisões em tempo real. Isso aumenta a eficiência, melhora a experiência do consumidor e reduz perdas em qualquer evento sazonal.”