Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e proprietário do extinto Banco Master, está sendo investigado pela Polícia Federal por supostos pagamentos de até R$ 2 milhões para influenciadores digitais que atacaram o Banco Central (BC) nas redes sociais. A 10ª fase da Operação Compliance Zero, realizada em 9 de julho de 2026 e autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apura indícios de uma ação coordenada voltada para comprometer a credibilidade do BC, que decidiu pela liquidação do Banco Master em novembro do ano anterior.
O ministro Mendonça emitiu mandados de busca e apreensão em Brasília, destacando que Vorcaro utilizou recursos oriundos de fraudes do banco liquidado para implementar uma campanha de desinformação denominada “Projeto DV”. As investigações indicam que o ex-banqueiro teria intimidado e coagido influenciadores que não aceitaram suas propostas, além de monitorar de forma ilícita jornalistas e pessoas ligadas a autoridades públicas.
A operação também analisa a atuação de uma possível organização criminosa que buscava obter informações sigilosas e interferir em investigações criminais. Entre os alvos da operação está Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, conhecida como Agência MiThi. A busca e apreensão em endereços relacionados ao suspeito foi autorizada na decisão de Mendonça, que ressaltou a urgência da medida para evitar a perda de provas digitais.
Mensagens trocadas entre Miranda e Vorcaro revelam tentativas de obter informações pessoais sobre a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com o objetivo de impedir novas reportagens sobre o Banco Master. Em um diálogo, os dois discutem a possibilidade de contratar a jornalista com um salário de R$ 120 mil e “luvas” contratuais, um bônus pago para garantir a sua colaboração.
A defesa de Thiago Miranda afirma que ele agiu em conformidade com a liberdade de expressão e não cometeu qualquer ato criminoso ou de intimidação. Os representantes legais destacam que a investigação em andamento não deve ser interpretada como um juízo antecipado de culpa e que as garantias constitucionais do devido processo legal, ampla defesa e presunção de inocência devem ser respeitadas. Miranda se coloca à disposição das autoridades para esclarecer os fatos e garantir que a apuração ocorra de forma equilibrada e técnica, afastando conclusões precipitadas.
A investigação e suas implicações continuam a ser acompanhadas de perto pelas autoridades competentes, enquanto novos desdobramentos podem surgir a partir das evidências coletadas na Operação Compliance Zero.