Forças armadas da América Latina enfrentam ameaças dos EUA em meio a tensões históricas

Reuters]

Um olhar sobre o poder militar da América Latina e o impacto da interferência dos EUA

A recente escalada de tensões entre os EUA e a América Latina revela a fragilidade das forças armadas latino-americanas diante da potência militar americana.

A recente escalada de tensões entre os Estados Unidos e a América Latina, especialmente após a abdução do presidente venezuelano Nicolás Maduro, expõe a fragilidade das forças armadas latino-americanas frente ao poder militar americano. O presidente Donald Trump, em uma clara demonstração de força, ameaçou ações contra países como Colômbia, Cuba e México, alegando a necessidade de combater o tráfico de drogas e proteger os interesses dos EUA na região.

Tensão Histórica e Interferência Americana

As relações entre os Estados Unidos e a América Latina sempre foram marcadas por um histórico de intervenções que remontam ao final do século XIX e início do século XX. As chamadas “Guerras da Banana” foram um exemplo claro do uso da força militar para proteger interesses corporativos americanos em países da América Central. Apesar de promessas de não intervenção, como a Política da Boa Vizinhança de Franklin D. Roosevelt em 1934, os EUA não hesitaram em financiar operações para derrubar governos eleitos durante a Guerra Fria, muitas vezes com a participação da CIA.

A única invasão formal da América Latina pelos EUA ocorreu em 1989, quando tropas americanas invadiram o Panamá para depor o presidente Manuel Noriega, um ex-aliado que se tornara uma ameaça aos interesses americanos na região. Esses episódios históricos não só moldaram a política externa dos EUA, mas também geraram um ressentimento profundo entre as nações latino-americanas, que frequentemente veem a intervenção americana como uma violação de sua soberania.

Capacidade Militar na América Latina

Hoje, a América Latina apresenta uma diversidade de capacidades militares, com o Brasil se destacando como a maior potência militar da região, classificada em 11º lugar no ranking global de poderio militar. Em comparação, o México ocupa a 32ª posição, a Colômbia a 46ª, a Venezuela a 50ª e Cuba a 67ª. Esses países estão significativamente abaixo do nível de investimento e capacidade do exército americano, que possui o maior orçamento militar do mundo, totalizando cerca de 895 bilhões de dólares em 2025, representando 3,1% do PIB dos EUA.

A única vantagem que alguns países da América Latina possuem em relação aos EUA é a força de seus grupos paramilitares, que frequentemente utilizam táticas de guerra assimétrica. O caso de Cuba é emblemático, com a terceira maior força paramilitar do mundo, composta por mais de 1,14 milhão de membros, incluindo milícias estatais e comitês de defesa do bairro. Essas forças atuam como um complemento das forças armadas regulares, especialmente em situações de crise.

Na Venezuela, os chamados “coletivos” de apoio ao governo têm sido acusados de intimidar opositores e manter o controle político, operando com o consentimento do Estado. Na Colômbia, grupos paramilitares de direita surgiram na década de 1980, e embora oficialmente desmobilizados, muitos ressurgiram como organizações criminosas. No México, cartéis de drogas fortemente armados atuam como forças paramilitares de fato, desafiando a autoridade do Estado e forçando o exército a intervir em funções de policiamento.

O Futuro das Relações EUA-América Latina

À medida que a retórica e as ações dos EUA se intensificam, a América Latina enfrenta um dilema: como equilibrar a necessidade de segurança com a soberania nacional? A resposta a essa pergunta pode moldar não apenas o futuro da política interna em muitos países, mas também as relações internacionais na região. A história de intervenções americanas cria um clima de desconfiança e resistência, enquanto a incapacidade das forças armadas locais de se defenderem eficazmente contra uma superpotência militar como os EUA continua a ser uma preocupação predominante. O desafio será encontrar um caminho que garanta a segurança e a soberania da América Latina, sem recorrer a uma nova era de dependência e intervenção estrangeira.

Fonte: www.aljazeera.com

Fonte: Reuters]

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