Um estudo realizado no Brasil utilizou sequenciamento de DNA para identificar grandes quantidades de pepinos-do-mar que foram apreendidos pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, localizado na Grande São Paulo. A pesquisa aponta para uma preocupação crescente com a diminuição das populações dessas espécies e o desequilíbrio ecológico resultante do tráfico.
Esses animais são frequentemente alvo do comércio ilegal no Brasil, principalmente visando o mercado chinês, onde são considerados iguarias na culinária e na medicina tradicional. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores do Lagenpe (Laboratório de Genômica e Conservação de Peixes) da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e contou com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.
Os cientistas descobriram que os pepinos-do-mar encontrados nas malas pertencem às espécies Holothuria grisea e Isostichopus badionotus, ambas originárias do sudeste brasileiro. Essa situação caracteriza um crime ambiental e pode sinalizar uma crise iminente para a biodiversidade costeira no Brasil.
Atualmente, a Unesp informa que existem cerca de 1.250 espécies de pepinos-do-mar em todo o mundo, sendo 40 delas encontradas no Brasil. As espécies mencionadas no estudo estão classificadas como de “Menor Preocupação” pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), mas isso não elimina os riscos que a exploração ilegal pode trazer ao Meio Ambiente.
O biólogo e professor Fabio Porto-Foresti, do Departamento de Ciências Biológicas da FC (Faculdade de Ciências) da Unesp, explica que o comércio ilegal pode reduzir drasticamente as populações de pepinos-do-mar na região, um fenômeno já observado na China. Ele ressalta que o comércio ilegal é uma ameaça muitas vezes invisível, já que o pepino-do-mar seco, que é a forma em que é transportado, permite o transporte de grandes quantidades nas bagagens.
Os materiais apreendidos estavam escondidos em caixas e malas, cada uma contendo aproximadamente 500 animais secos. A equipe de pesquisa selecionou aleatoriamente 40 espécimes para as análises moleculares, dos quais 18 pertenciam à espécie Holothuria grisea e 22 à Isostichopus badionotus. O objetivo central deste projeto é compreender melhor o comércio que ocorre sem a devida identificação morfológica das espécies. Com a utilização de marcadores genéticos, será possível identificar exatamente quais espécies estão sendo comercializadas, seja de pepinos-do-mar, peixes, camarões ou outros grupos.