Grupo reforça princípios históricos do montanhismo paranaense diante do crescimento desordenado da prática

Entre 2017 e 2018, o montanhismo tem registrado um crescimento expressivo no Brasil e no mundo. A prática de subir montanhas ganhou visibilidade impulsionada por conteúdos midiáticos, campanhas publicitárias e publicações de marcas que associam a atividade a força, bem-estar, qualidade de vida e modernidade. No entanto, especialistas alertam: montanha não é praça pública, parque urbano, shopping ou academia.
No Paraná, o montanhismo tem raízes históricas profundas. O estado é pioneiro nessa prática, especialmente na região do Pico do Marumbi, cuja ocupação esportiva remonta ao final do século XIX. A construção da Estrada de Ferro Curitiba–Paranaguá, em 1880, foi decisiva para o acesso e o desenvolvimento da atividade na Serra do Mar. Diferente de outras regiões do país, onde há poucos registros de ascensões repetidas, o Marumbi e seu entorno sempre foram frequentados de forma contínua por gerações de montanhistas.
Antes mesmo da pandemia, já era possível observar um aumento significativo de praticantes na Serra do Mar paranaense. Com isso, cresceram também o número de guias, empresas, comércios e grupos que passaram a lucrar com a atividade. Porém, tornou-se evidente a falta de preparo técnico, experiência e conhecimento básico de muitos frequentadores, ampliando riscos à segurança e impactos ao meio ambiente.
Diante desse cenário, montanhistas experientes do Paraná decidiram criar um movimento de conscientização por meio das redes sociais. Assim nasceu o Montanhista Evolutivo – Grande Escola Paranaense de Montanha, um grupo presente no Facebook e Instagram que produz e compartilha conteúdos baseados nos princípios históricos do montanhismo paranaense. O objetivo é promover a segurança dos praticantes e reduzir os impactos ambientais causados pelo uso inadequado das trilhas e montanhas.
O alerta se intensificou recentemente após o desaparecimento de um jovem na Serra do Mar, na região do Pico do Paraná. Ele e uma colega subiram a montanha para observar o nascer do sol, acabaram se separando sem planejamento adequado, e o jovem permaneceu perdido por mais de quatro dias até conseguir chegar sozinho à região do Cacatu, no município de Antonina.
Casos como esse reforçam que ambientes naturais de montanha exigem respeito, preparo e responsabilidade. Não se trata de espaços com riscos controlados, como áreas urbanas. Entre as orientações defendidas pelo Montanhista Evolutivo estão: caminhar sempre em grupos de no mínimo três pessoas, contar com pelo menos um integrante experiente, evitar trilhas abandonadas ou pouco conhecidas, respeitar pausas programadas, saber desistir no momento certo, utilizar equipamentos adequados, planejar a atividade com base na previsão do tempo e não enfrentar a natureza apenas em busca de fotos ou feitos pessoais.
Para o grupo, ser montanhista vai além das redes sociais. É um estilo de vida que envolve respeito profundo à natureza e aos povos tradicionais que aprenderam a viver em harmonia com a Mãe Natureza.
O Montanhista Evolutivo convida praticantes e interessados a seguirem suas redes sociais no Facebook e Instagram e a se tornarem membros do movimento, contribuindo para a construção de uma cultura de evolução, segurança e respeito no montanhismo paranaense.
Instagram: @montanhistaevolutivo
Facebook: Montanhista Evolutivo – Grande Escola Paranaense de Montanha
