Preocupações com a Lei da Reciprocidade diante de tarifas dos EUA

A possibilidade de implementação da Lei da Reciprocidade no Brasil levanta preocupações entre diversos setores da economia, especialmente em função das tarifas de 25% impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Durante uma análise no Live CNN, a especialista em Política Larissa Rodrigues destacou que, no momento, essa medida parece mais uma retórica do que uma ação concreta a ser executada.

Larissa Rodrigues enfatizou que não há expectativa de que o Brasil entre em conflito com os Estados Unidos neste momento, pois isso poderia gerar mais complicações do que benefícios nas negociações. Ela apontou que o debate atual sobre a Lei da Reciprocidade assume um caráter político, focando em questões de soberania, ao invés de ser uma discussão econômica efetiva.

A analista afirmou que tanto a decisão dos EUA quanto a resposta do Brasil, junto com a postura da oposição, se transformaram em uma discussão meramente política, sem um enfoque real nas questões econômicas. Rodrigues também mencionou que o Brasil está, neste momento, buscando levantar recursos, mesmo com um orçamento limitado, para apoiar as empresas e está à procura de novos mercados para exportação. Por isso, ela acredita que a reciprocidade não deve se concretizar em breve.

Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que cerca de 4 mil produtos brasileiros foram afetados pelas sobretaxas, enquanto uma lista de exceções abrangeu aproximadamente 429 setores. A analista destacou que todos os setores estão buscando algum tipo de benefício, seja pela inclusão nessa lista de exceções ou através de verbas do Ministério da Fazenda, com expectativas de novidades nos próximos dias.

A CNI estima que a lista ampliada de exceções pode evitar perdas de até US$ 2,3 bilhões. Em contrapartida, as perdas acumuladas desde a anterior sobretaxação de 10% já alcançam pelo menos US$ 7 bilhões. O Palácio do Planalto calcula que os produtos que não foram incluídos na lista de exceção podem gerar prejuízos entre 5 e 7 bilhões de reais.

Dois setores que se destacam pelo impacto significativo de suas exclusões da lista de exceções são o de madeira e o de minerais não metálicos. O primeiro, responsável pela exportação de itens como molduras e portas de emergência para os Estados Unidos, pode enfrentar uma redução de até 83% em seu volume exportado. Já o setor de minerais não metálicos, que inclui produtos como granito e azulejo, poderá ver suas exportações caírem em pelo menos 56%.

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