Censura e vigilância na Venezuela: o impacto da repressão sobre a comunicação

Relatos de abordagens e estratégias de autoproteção entre civis

Relatos de abordagem a civis indicam um cenário de censura crescente na Venezuela, com consequências diretas para a liberdade de expressão e comunicação.

Relatos recentes da Venezuela trazem à tona um clima de temor e repressão, onde grupos armados e facções ligadas ao governo estão realizando revistas em celulares de civis. Essa prática visa identificar mensagens críticas ao regime, resultando em detenções de pessoas que ousam expressar descontentamento. Os relatos obtidos indicam que policiais e militares têm abordado aleatoriamente os cidadãos, especialmente em áreas de fronteira, como Pacaraima, onde muitos venezuelanos buscam refúgio.

O contexto da repressão na Venezuela

O regime de Nicolás Maduro, que está no poder há mais de duas décadas, enfrenta um crescente descontentamento popular e internacional, especialmente após a recente captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por autoridades dos Estados Unidos. Eles são acusados de liderar uma rede criminosa envolvida no tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Essas acusações não apenas intensificaram a vigilância sobre os opositores, mas também contribuíram para um ambiente de medo generalizado, onde os cidadãos se sentem vigiados a todo momento.

A pressão sobre a liberdade de expressão na Venezuela é palpável. Mensagens que circulam em grupos de WhatsApp orientam os usuários a censurarem suas comunicações, evitando qualquer conteúdo que possa ser percebido como uma crítica ao governo. Essa autocensura tem se tornado uma estratégia de sobrevivência para muitos, que temem represálias.

A vigilância e suas consequências

As abordagens realizadas por agentes do governo têm se tornado uma prática comum, com relatos de que conversas em aplicativos de mensagens estão sendo monitoradas. Caso mensagens consideradas subversivas sejam encontradas, os indivíduos podem enfrentar acusações de crimes políticos. Essa situação tem levado muitos a adotarem estratégias de autoproteção, como a eliminação de conversas e a utilização de mensagens que se autodestroem, visando manter qualquer conteúdo privado longe dos olhos do governo.

Francis Ortiz, uma venezuelana que vive em Pacaraima, expressa a preocupação de seus familiares em Caracas, que evitam qualquer tipo de exposição. “Lá, é proibido falar desses temas. Não pode tirar foto, não pode gravar vídeo. Nada disso”, relata ela, evidenciando como a repressão afeta a vida cotidiana e a liberdade de comunicação.

O cientista político venezuelano Adrián Padilha destaca que, além da censura, há uma guerra informacional em curso, onde a desinformação é usada como uma ferramenta para controlar a narrativa e gerar medo. “Isso é comum em situações de confronto e faz parte do que se chama guerra não convencional”, afirma Padilha, ressaltando o impacto psicológico dessa estratégia sobre a população.

Em suma, a combinação da captura de líderes do regime, a repressão às comunicações e a criação de um clima de medo moldam a realidade da Venezuela, onde a liberdade de expressão está cada vez mais ameaçada. A vigilância e a censura não apenas afetam a capacidade dos cidadãos de se expressarem livremente, mas também contribuem para um ambiente de opressão que pode ter consequências duradouras para o futuro do país.

Fonte: www.metropoles.com

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