A crítica de Mandelson aos líderes europeus e a posição de Trump sobre a Groenlândia

Bonnie Cash/EPA

Análise das consequências geopolíticas e as reações na Europa

Peter Mandelson critica a reação exagerada de líderes europeus ao plano de Trump sobre a Groenlândia, destacando a impotência geopolítica da Europa.

A crítica do ex-embaixador britânico nos EUA, Peter Mandelson, à resposta de líderes europeus, incluindo Keir Starmer, ao plano de Donald Trump de adquirir a Groenlândia, levanta questões significativas sobre a posição da Europa no cenário geopolítico atual. Mandelson descreveu a reação como “histriónica” e sugeriu que a falta de “poder duro e dinheiro” por parte da Europa a condena a um papel de irrelevância na era de Trump.

O contexto da crítica de Mandelson

Mandelson, em seus primeiros comentários políticos desde que foi demitido como embaixador em Washington, argumenta que Trump foi capaz de realizar em um dia o que a diplomacia tradicional não conseguiu durante uma década. Ele se referiu ao reconhecimento do presidente venezuelano Nicolás Maduro como um exemplo do impacto que Trump teve na política internacional. A crítica a Starmer se intensifica, especialmente depois que o primeiro-ministro britânico fez declarações sobre a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia, após a Casa Branca indicar interesse em explorar opções para adquirir a ilha.

A situação é complexa, pois Starmer se posicionou favoravelmente ao direito da Groenlândia e da Dinamarca de decidirem seu futuro, mas sem criticar as ações de Trump na Venezuela. Mandelson, por outro lado, argumenta que a resposta europeia à manobra de Trump revela uma “impotência geopolítica crescente” e uma necessidade urgente de que os líderes europeus adotem uma postura mais assertiva, utilizando “poder duro e dinheiro” para recuperar relevância.

As implicações da política de Trump

Mandelson também acredita que Trump não tem intenção de invadir a Groenlândia, uma vez que a segurança no Ártico está se tornando uma preocupação crescente devido a ameaças da China e da Rússia. Ele sugere que, ao invés de focar em declarações performáticas sobre soberania, as discussões sérias sobre a segurança no Ártico precisam se intensificar.

A crítica de Mandelson à “desintegração” do sistema internacional regido por regras não é nova; ele argumenta que isso já começou há duas décadas, com a ascensão da China como uma potência que desafia a ordem unipolar liderada pelos EUA. Ele defende que os líderes europeus precisam se adaptar a essa nova realidade, que inclui uma reavaliação do conceito de “America First” e como essa abordagem pode ser interpretada como uma “América Sozinha”.

O futuro da Europa na geopolítica

A declaração de Mandelson sugere que, em vez de se preocuparem com as reações de Trump, os líderes europeus devem se perguntar como podem mitigar as consequências das mudanças na política dos EUA. Isso implica uma aceitação de que a abordagem decisiva de Trump, em situações reais, pode ser mais eficaz do que a paralisia analítica que caracterizou algumas administrações anteriores.

A análise de Mandelson é um chamado à ação para a Europa, que precisa assumir suas responsabilidades militares e financeiras, indo além de meras palavras. Ele conclui que as declarações performáticas não são suficientes; a Europa deve se preparar para assumir um papel ativo e relevante na política global.

Fonte: www.theguardian.com

Fonte: Bonnie Cash/EPA

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