Dólar fecha em alta e aguarda dados do IPCA e payroll

Expectativas para inflação e mercado de trabalho influenciam o câmbio

O dólar encerrou a sessão de hoje em alta, refletindo dados econômicos dos EUA e expectativas sobre a inflação brasileira.

O dólar manteve sua trajetória de alta nesta quinta-feira (8), fechando a R$ 5,3890, o que representa uma valorização de 0,04% em relação ao dia anterior. Este movimento foi impulsionado por dados econômicos dos Estados Unidos, que afetaram as expectativas do mercado local, especialmente em um cenário de espera por novos indicadores de inflação no Brasil.

Pressões externas e expectativas de juros nos EUA

Por volta das 17h, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas, subia 0,24%, alcançando 98,922 pontos. A alta do dólar foi fortemente influenciada pela escalada nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasurys), que aumentaram após a divulgação de dados de comércio e emprego. O déficit comercial dos EUA caiu significativamente em outubro, chegando a US$ 29,4 bilhões, o menor nível desde 2009, contrariando as previsões de analistas que esperavam um aumento.

Além disso, o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA subiu para 208.000, um leve aumento em relação às expectativas. Essas variáveis afetam diretamente a percepção do mercado sobre as futuras decisões de juros do Federal Reserve (Fed). Atualmente, a taxa de juros nos EUA se encontra entre 3,50% e 3,75% ao ano, e a expectativa é que o Fed mantenha os juros inalterados até março.

Cenário interno e expectativa pelo IPCA

No Brasil, a produção industrial apresentou resultados decepcionantes. Segundo o IBGE, a produção permaneceu estável em novembro, frustrando a expectativa de crescimento de 0,2%, após um leve aumento de 0,1% em outubro. Comparado ao mesmo mês do ano anterior, houve uma queda de 1,2%, o que evidencia um quadro de estagnação no setor. O economista André Valério, do Inter, apontou que a produção industrial ainda está 14,8% abaixo do pico alcançado em maio de 2011, refletindo os desafios impostos por altas taxas de juros e tarifas comerciais elevadas.

O mercado agora aguarda a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro, prevista para amanhã (9). As expectativas são de que o IPCA acelere 0,33% em comparação ao mês anterior, encerrando 2025 em 4,27%, um índice abaixo do limite de meta estabelecido pelo Banco Central, mas ainda acima do centro da meta de 3%.

Diante desse cenário, os investidores estão atentos ao relatório de empregos (payroll) de dezembro, que é um indicador importante para as decisões do Fed em relação à política monetária. A ação militar dos EUA na Venezuela também continua a ser uma preocupação, com declarações do presidente Donald Trump sobre a supervisão e controle do petróleo venezuelano por um período prolongado.

Esses fatores demonstram como as economias estão interligadas e como as decisões em um país podem impactar diretamente o câmbio e a economia de outro, especialmente em uma era de incertezas globais.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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