O país destina recursos significativos para apostas online e negligencia a pesquisa e desenvolvimento
O Brasil enfrenta um dilema entre financiar apostas online e promover a inovação.
Inversão de prioridades no Brasil
O financiamento da inovação no Brasil se encontra em um estado crítico, especialmente considerando o momento econômico que o país atravessa. Com um déficit primário superior a R$ 70 bilhões e uma arrecadação recorde prevista de R$ 2,328 trilhões para 2025, o governo parece priorizar a manutenção do consumo básico através de transferências diretas, enquanto a inovação tecnológica permanece estagnada. Essa abordagem não apenas perpetua a dependência da população em relação ao Estado, mas também compromete o futuro do desenvolvimento econômico do país.
A dependência de auxílios governamentais
Atualmente, 94 milhões de brasileiros, ou 44% da população, dependem de algum tipo de auxílio governamental. Esse modelo assistencialista, embora necessário em muitos casos, impede uma verdadeira alavanca de desenvolvimento, que é a inovação. Enquanto o governo discute a importância de programas sociais, a falta de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) se torna cada vez mais evidente. Dados do Tribunal de Contas da União revelam que famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3,7 bilhões para casas de apostas, o que representa 27% dos recursos distribuídos pelo programa no mesmo mês. Essa drenagem de capital é alarmante e mostra como a alocação de recursos públicos está sendo mal direcionada.
A proibição das apostas e suas consequências
Recentemente, o Ministério da Fazenda tomou a decisão de proibir a utilização de casas de apostas por beneficiários do Bolsa Família. Essa medida, embora necessária para proteger os recursos públicos, também evidencia o impacto negativo da aposta na economia. Conforme estimativas, as casas de apostas podem perder até 20% de sua base de usuários, refletindo o quanto essas plataformas se tornaram populares entre as famílias que dependem de auxílio. Essa situação demonstra a transferência direta de recursos públicos, levantando preocupações sobre a eficácia das políticas públicas atuais.
Investimentos em inovação comparados a apostas
Em contraste com a quantia gasta em apostas, o investimento do Brasil em inovação é irrisório. A Lei do Bem, que visa estimular a pesquisa e desenvolvimento, representou apenas 0,09% do PIB em 2023, totalizando uma renúncia fiscal de R$ 9,82 bilhões. Comparativamente, países como Islândia e França alocam entre 0,40% e 0,52% do PIB para P&D, o que evidencia uma discrepância alarmante. O Brasil investe três a quatro vezes menos em inovação do que as economias que lideram o desenvolvimento tecnológico e a inovação no mundo.
A necessidade de uma reorientação orçamentária
Para que o Brasil possa avançar e atingir um desenvolvimento sustentável, é imperativo promover uma reorientação imediata dos gastos públicos. Essa mudança não implica na eliminação de auxílios, mas sim na criação de oportunidades que favoreçam a alta produtividade e a inovação. A discrepância entre os gastos com apostas e os investimentos em P&D é alarmante, já que em menos de três meses, o montante gasto em apostas já supera o total anual destinado ao estímulo à inovação.
Conclusão
O Brasil possui os recursos necessários, mas a alocação desses fundos é ineficiente. A dependência em jogos de azar e apostas não é uma solução viável para o futuro econômico do país. A única forma comprovada de prosperidade é por meio do investimento em ciência e tecnologia. A Lei do Bem, apesar de seus benefícios, poderá ser afetada por propostas de redução de incentivos fiscais, o que seria um erro estratégico. Sem um apoio robusto à inovação, o Brasil corre o risco de permanecer em um ciclo de estagnação, perdendo oportunidades valiosas de crescimento e desenvolvimento.
Fonte: brazileconomy.com.br
Fonte: Divulgação
