Yügüh: como povos indígenas produzem sal a partir do aguapé

Yoko Okamoto / Getty Images

Entenda a tradição milenar de extração do sal vegetal no Alto Xingu

Descubra como os indígenas Waurá produzem o sal Yügüh a partir do aguapé, planta típica do Alto Xingu.

O sal indígena Yügüh e sua origem no aguapé

No dia 9 de janeiro de 2026, a produção do sal indígena Yügüh, conhecido como “sal de índio”, foi tema de destaque no Alto Xingu, Mato Grosso. Os Waurá, um dos povos indígenas da região, utilizam o aguapé (Eichhornia crassipes) para criar esse tempero de forma artesanal e milenar.

O processo de produção do sal indígena

A produção do Yügüh começa com a colheita das folhas do aguapé, uma planta aquática que se adapta facilmente e cresce rapidamente em lagoas e cursos d’água. Após a colheita, as folhas são secas ao sol e, em seguida, queimadas. O resultado dessa queima são as cinzas, que constituem o sal indígena.

Esse método de extração é tão antigo que aparece em documentários etnográficos, como os apoiados pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Esses registros mostram a dedicação dos indígenas Waurá na coleta do aguapé e na transformação da planta em sal através de etapas cuidadosas.

Características do aguapé

O aguapé é facilmente reconhecido por suas folhas largas e flutuantes, além de suas flores roxas. Embora seja considerado uma planta invasora em várias partes do Brasil, sua ampla disponibilidade no Alto Xingu possibilitou que comunidades isoladas desenvolvessem um método próprio para obter um condimento essencial para sua alimentação.

Diferenças nutricionais entre o sal indígena e o sal de cozinha

Nutricionalmente, o sal indígena se distingue do sal de cozinha tradicional, que é composto majoritariamente por cloreto de sódio (NaCl). O sódio é um mineral essencial, mas o consumo excessivo está associado a problemas de saúde, como aumento da pressão arterial e doenças cardiovasculares.

De acordo com a nutricionista Fernanda Figueira, o sal de índio contém predominantemente cloreto de potássio (KCl), que é crucial para funções como a contração muscular e o equilíbrio da pressão arterial. No entanto, não há estudos clínicos que comprovem os benefícios terapêuticos do sal indígena, sendo sua composição descrita com base em observações e relatos locais.

Considerações sobre o uso do sal indígena

O sal de índio é um produto cultural enraizado nas práticas indígenas, e não é produzido em escala comercial. Portanto, qualquer produto que seja vendido como “sal de índio” fora desse contexto deve ser visto com cautela, pois pode não ter garantia de origem ou composição segura. A nutricionista Fernanda Figueira ressalta que o uso desse sal não é recomendado para o consumo rotineiro.

Em resumo, o Yügüh representa uma adaptação única dos povos indígenas do Xingu aos recursos naturais disponíveis para atender uma necessidade ancestral de temperar alimentos. Seu valor cultural é significativo, mas é importante lembrar que o sal indígena não substitui a dieta moderna nem deve ser utilizado sem informação adequada.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Yoko Okamoto / Getty Images

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