Ecoturismo cresce no Brasil e abre espaço para agências que apostam em profissionalização

Ecoturismo cresce no Brasil e abre espaço para agências que apostam em profissionalização
Créditos: Unsplash (J. Balla Photography)

O turismo de natureza deixou de ser um nicho e passou a ocupar posição central nas escolhas dos viajantes brasileiros. Em 2024, as Unidades de Conservação do país receberam mais de 25 milhões de visitantes, segundo dados oficiais do governo federal. 

O avanço do setor impulsiona destinos como a Chapada dos Veadeiros e o Jalapão e evidencia um movimento claro: cresce quem consegue unir experiência, segurança e operação bem estruturada.

Um movimento que deixou de ser nicho

Parte do crescimento do ecoturismo está ligada à reavaliação de hábitos após a pandemia, com maior procura por atividades ao ar livre e destinos menos urbanos. Mas o avanço do setor também reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor.

“O ecoturismo deixou de ser alternativa e virou preferência para uma parte enorme do público. Quem comunica com honestidade e opera com padrão, segurança, roteiro bem desenhado, suporte, cresce de forma consistente”, afirma Rafael Querido, especialista em marketing para agências de ecoturismo e proprietário do método Agência Inabalável.

Segundo ele, o desafio do setor vai além da divulgação de imagens atrativas. “Transformar paisagens naturais em experiências organizadas, seguras e bem conduzidas exige preparo técnico e operação profissional”, diz.

Onde a estrutura faz diferença

Em destinos com logística mais complexa, a atuação de agências especializadas se torna ainda mais relevante. É o caso da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Conhecida pelas cachoeiras, formações rochosas e pela biodiversidade do Cerrado, a região aparece com frequência em levantamentos sobre os destinos de ecoturismo mais procurados do país. Para visitantes de primeira viagem, a organização do roteiro pode exigir conhecimento local, já que há trilhas longas, estradas que dependem das condições climáticas e atrações que funcionam melhor em horários específicos.

Nesse cenário, agências locais ganham espaço ao oferecer orientação, planejamento e acompanhamento durante os passeios. Uma delas é a Chapada 360, fundada por Beto Landim. A empresa atua com roteiros voltados ao turismo de natureza e mantém produção de conteúdo sobre a região, prática que ajuda a orientar turistas antes mesmo da viagem.

Ecoturismo cresce no Brasil e abre espaço para agências que apostam em profissionalização
Créditos: Unsplash (Charles Betito Filho)

Destinos emergentes ampliam o mapa do ecoturismo

Além da Chapada dos Veadeiros, outros destinos vêm ganhando protagonismo no turismo de natureza. O Jalapão, no Tocantins, é um dos principais exemplos.

Com perfil mais remoto e voltado à aventura, o destino registrou aumento no fluxo de visitantes nos últimos anos. Dados oficiais indicam que as dunas do Jalapão receberam cerca de 40 mil visitas entre janeiro e agosto de 2023, crescimento de aproximadamente 11% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A distância das grandes capitais e as condições das estradas fazem com que o planejamento logístico seja um fator decisivo para a experiência do turista. Isso tem ampliado as oportunidades para operadores e agências capazes de estruturar pacotes completos, com transporte adequado e apoio durante toda a viagem.

O Brasil no radar internacional

O crescimento do ecoturismo brasileiro também tem repercussão fora do país. Em premiações internacionais voltadas ao turismo de natureza e vida selvagem, o Brasil aparece entre os destinos mais desejados do mundo, impulsionado pela diversidade de biomas e pela variedade de experiências ao ar livre.

A presença do país em rankings internacionais reforça tanto o potencial turístico quanto a necessidade de organização do setor, especialmente em regiões ambientalmente sensíveis.

Profissionalização é o próximo passo

Apesar do avanço consistente, parte do ecoturismo brasileiro ainda opera de forma pouco estruturada. Especialistas apontam que a falta de padronização pode impactar diretamente a percepção do turista e limitar o crescimento sustentável do setor.

A diferença entre uma experiência bem avaliada e uma viagem frustrante, em muitos casos, está na operação. Roteiros adequados ao perfil do visitante, guias capacitados, comunicação clara sobre nível de esforço físico e medidas de segurança são fatores que influenciam diretamente a satisfação do público.

Com a demanda em alta e novos destinos ganhando visibilidade, agências que investem em organização, transparência e qualificação tendem a se destacar em um mercado que deve continuar em expansão nos próximos anos.

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