Após ameaças do presidente dos EUA, políticos locais afirmam que futuro da Groenlândia deve ser decidido pelos groenlandeses.
Líderes groenlandeses afirmam que não desejam ser americanos e querem decidir seu futuro.
Em 8 de janeiro de 2026, em meio a novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, os líderes políticos da Groenlândia uniram-se em um forte apelo pela autodeterminação da ilha. O primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen e representantes de cinco partidos políticos expressaram que “não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses”. O comunicado foi emitido após Trump afirmar que os EUA fariam algo a respeito da Groenlândia, “quer eles gostem ou não”.
Ameaças de Trump e resposta groenlandesa
Trump, em uma reunião com executivos do setor de petróleo e gás, declarou que a Groenlândia é crucial para a segurança nacional dos EUA. Ele mencionou: “Não vamos permitir que a Rússia ou a China ocupem a Groenlândia. Isso é o que eles vão fazer se não tomarmos uma atitude”. Este tipo de retórica tem gerado preocupações na Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca.
Os líderes groenlandeses enfatizaram que a decisão sobre o futuro da ilha deve ser exclusivamente dos groenlandeses. Eles pediram que outros países, especialmente os EUA, não interfiram nesse processo. Nielsen declarou que a Groenlândia não deve ser submetida a pressões externas e que a autodeterminação é um direito fundamental.
Resultados de pesquisas e a posição da população
Pesquisas recentes indicam que 85% da população da Groenlândia rejeita a ideia de se tornar parte dos EUA. Além disso, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, destacou que a anexação da Groenlândia pelos EUA significaria o fim da segurança pós-Segunda Guerra Mundial e pediu a Trump que pare de fazer ameaças. Apenas 7% dos americanos apoiariam uma invasão militar da Groenlândia, segundo as mesmas pesquisas.
Contexto histórico e militar
A Groenlândia, que é rica em recursos minerais, já foi objeto de interesse dos EUA no passado. Em 2019, Trump chegou a fazer uma oferta para comprar a ilha, proposta que foi prontamente rejeitada pela Dinamarca. A presença militar dos EUA na Groenlândia remonta à Segunda Guerra Mundial, com uma base militar localizada na ponta noroeste da ilha. Atualmente, mais de 100 militares estão permanentemente estacionados lá, e acordos existentes permitem que os EUA aumentem sua presença militar conforme necessário.
O papel da Otan
No contexto das declarações de Trump, o general Alexus Grynkewich, chefe das forças da Otan na Europa, evitou comentar sobre a sobrevivência da aliança sem a participação dos EUA, mas reiterou que a Otan está longe de estar em crise. Ele afirmou que a prontidão militar permanece intacta e que a aliança está preparada para defender cada centímetro de seu território.
Conclusão
A resposta dos líderes groenlandeses e a rejeição da população a se tornarem parte dos EUA destacam a forte vontade de autonomia e autodeterminação da Groenlândia. Enquanto o debate sobre o futuro da ilha continua, fica claro que a voz dos groenlandeses deve ser ouvida e respeitada, sem pressões externas.
Fonte: www.theguardian.com
Fonte: Anadolu/Getty Images
