Save the Children aposta em investimento de impacto diante de cortes de ajuda

Ulet Ifansasti

Organização busca novas formas de financiamento em meio ao desafio crescente da assistência humanitária

Com a redução da ajuda humanitária, Save the Children investe em novas estratégias para atender crianças em risco.

Save the Children e o foco em investimento de impacto

Em um cenário onde a ajuda humanitária enfrenta cortes drásticos, a Save the Children decidiu mudar sua abordagem e apostar no investimento de impacto. Esta mudança é fundamental para atender às crescentes necessidades das crianças afetadas por conflitos, desastres naturais e insegurança econômica. Com o objetivo de mobilizar capital privado, a Save the Children Global Ventures foi criada para impulsionar soluções que beneficiem as comunidades mais vulneráveis.

Contexto dos cortes na ajuda humanitária

Nos últimos anos, a assistência oficial ao desenvolvimento caiu significativamente. Em 2024, essa queda foi de 9%, e as previsões para 2025 indicam uma redução ainda maior. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima uma nova queda de até 17% para 2026. Essas diminuições podem resultar em mais de 14 milhões de mortes evitáveis até 2030, afetando especialmente crianças pequenas.

A resposta da Save the Children

Reconhecendo a urgência da situação, a Save the Children está reinventando sua abordagem tradicional, que se baseava apenas em projetos financiados por doações. Agora, a organização busca modelos de negócios que sejam investíveis e que ofereçam serviços essenciais, como saúde primária e desenvolvimento infantil, em comunidades de baixa renda. A nova estratégia é guiada por uma equipe de especialistas em investimento e ajuda humanitária, que utilizam a abordagem de “investimento com foco nas crianças”.

Sustentabilidade e redefinição do sucesso

A Save the Children Global Ventures não se limita a avaliar o sucesso por meio de resultados imediatos de projetos; ela agora considera se as iniciativas podem se manter financeiramente e atrair capital adicional. Essa mudança de paradigma exige novos sistemas de dados e maior disposição ao risco, mas é crucial para garantir a continuidade dos programas que salvam vidas, mesmo diante de cortes de financiamento.

Oportunidades no investimento de impacto

O movimento em direção ao investimento de impacto reflete tendências maiores no setor. A rede Global Impact Investing Network (GIIN) reporta que os ativos globais de investimento de impacto chegaram a US$ 1,6 trilhões, crescendo a uma taxa de 21% ao ano desde 2019. Com isso, a Save the Children busca se posicionar como um influenciador de mercado e investidor catalítico, aproveitando o interesse crescente de investidores institucionais e famílias em alocar recursos em estratégias de impacto positivo.

Exemplos de investimentos

A Save the Children já começou a apoiar plataformas de saúde digital na Ásia, como o investimento na PrimaKu na Indonésia, que visa aumentar o acesso a conselhos nutricionais e vacinas. Além disso, a organização investiu na Reach52, que amplia o acesso a medicamentos e cuidados preventivos em países de renda baixa e média. Essas ações demonstram como a Save the Children pode facilitar o investimento em mercados emergentes, que muitas vezes são vistos como muito arriscados.

O futuro do financiamento humanitário

Diante da retração da ajuda oficial, novas oportunidades estão surgindo. A Corporação de Financiamento ao Desenvolvimento dos EUA está ampliando sua atuação para atrair mais capital privado em setores essenciais, como saúde e segurança alimentar. Da mesma forma, investimentos em soluções tecnológicas escaláveis estão se tornando a norma, ao invés de projetos isolados.

Conclusão

O momento atual exige estratégias de investimento mais ousadas. A Save the Children está bem posicionada para liderar esta transformação, colaborando com investidores para desenvolver soluções que não apenas atendam a seus objetivos, mas que também ajudem as comunidades mais vulneráveis. Com mais de US$ 250 bilhões em ativos em fundos doados nos EUA, existe um potencial significativo para moldar o futuro da assistência humanitária e garantir que os progressos conquistados nas últimas duas décadas sejam mantidos e ampliados.

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