Estudo revela que dieta dos cães emite mais gases de efeito estufa que a de seus donos
Estudo aponta que a dieta de cães pode ter maior impacto ambiental que a de humanos.
A alimentação canina e suas consequências ambientais
Em 13 de janeiro de 2026, um estudo revelador apontou que a alimentação canina pode ter um impacto ambiental maior do que a dieta de seus donos. Com a crescente preocupação sobre as emissões de gases de efeito estufa e suas consequências, a pesquisa dos especialistas John Harvey, Peter Alexander e Sarah Crowley, das universidades de Edimburgo e Exeter, traz à luz um aspecto frequentemente negligenciado na discussão sobre sustentabilidade.
O impacto das rações para cães no meio ambiente
Os pesquisadores descobriram que, para um cão do tamanho de um collie ou um springer spaniel inglês, pesando cerca de 20 kg, 40% dos alimentos para cães testados geram um impacto climático superior ao de uma dieta vegana humana. Além disso, 10% das rações superam as emissões de uma dieta rica em carne destinada aos humanos. É alarmante perceber que a produção de rações para cães pode ser responsável por aproximadamente 0,9% a 1,3% das emissões totais de gases de efeito estufa no Reino Unido. Globalmente, a produção de ração para cães pode gerar emissões equivalentes a 59% a 99% das emissões da queima de combustível de aviação comercial.
A importância dos ingredientes na ração
O tipo de carne utilizado nas rações é fundamental para entender sua pegada ambiental. Cortes nobres, como peito de frango, são frequentemente utilizados na produção de ração, mas também são consumidos por humanos. Por outro lado, subprodutos como miúdos e aparas, que são mais baratos e nutritivos, são amplamente utilizados em alimentos para animais de estimação. Os pesquisadores destacam que muitos estudos anteriores não diferenciaram adequadamente entre esses tipos de ingredientes, levando a uma superestimação da pegada ambiental da ração.
Desafios de rotulagem e transparência
Um dos principais desafios para os donos de pets é a falta de transparência na rotulagem dos produtos. As diretrizes de rotulagem na Europa permitem termos vagos, como “carne e derivados animais”, dificultando a identificação da qualidade dos ingredientes. A pesquisa sugere que uma rotulagem mais clara, que indique a proporção de carne de alta qualidade em relação aos subprodutos, poderia capacitar os donos a fazer escolhas mais informadas.
Dietas alternativas e suas implicações
Embora as rações úmidas e cruas sejam frequentemente vistas como opções mais naturais, elas podem ter um impacto ambiental mais negativo do que as rações secas. O estudo constatou que as rações úmidas e as dietas cruas, que exigem refrigeração, tendem a emitir mais gases de efeito estufa devido ao transporte e embalagens.
Além disso, as opções à base de plantas podem ser menos prejudiciais ao meio ambiente, mas a diferença em relação às dietas carnívoras é pequena. No entanto, as rações úmidas de menor impacto apresentaram emissões mais baixas do que as secas típicas, sugerindo que nem todas as alternativas são equivalentes.
O potencial de mudança e as escolhas conscientes
O estudo conclui que as escolhas alimentares dos donos de pets podem ter um enorme potencial para reduzir a pegada ambiental. Ao optar por ingredientes de qualidade e subprodutos, bem como ao melhorar a rotulagem, é possível minimizar os efeitos negativos da alimentação canina no meio ambiente. John Harvey, um dos pesquisadores, ressalta a importância de conscientizar os donos sobre as implicações de suas escolhas alimentares para seus cães, destacando que a alimentação dos pets não deve ser um mero reflexo da dieta humana, mas sim uma decisão informada para um futuro sustentável.
A pesquisa coloca em foco a responsabilidade dos donos em escolher alimentos que não apenas atendam às necessidades nutricionais de seus animais, mas que também considerem o impacto ambiental, promovendo assim um equilíbrio entre a saúde dos pets e a preservação do planeta.
Fonte: www.metropoles.com
Fonte: Mr Vito/Getty Images
