Irã executa manifestante preso em protesto contra governo

Reprodução redes sociais

Erfan Soltani se torna a primeira vítima da execução após manifestações no país.

O Irã executa Erfan Soltani, primeiro manifestante após protestos que já causaram 2 mil mortes.

Em um ato que marca um momento sombrio na história do Irã, Erfan Soltani, um jovem de 26 anos, será executado nesta quarta-feira (14/1). Ele é o primeiro manifestante condenado à pena capital após uma série de protestos que começaram no final de 2025, resultando em ao menos 2 mil mortes, conforme relatórios de direitos humanos. A informação foi divulgada pela Organização Hengaw, uma entidade que monitora as violações de direitos no país.

Prisão e condenação em tempo recorde

Erfan Soltani foi preso em 8 de janeiro na cidade de Fardis, no distrito de Karaj. Apenas quatro dias após sua prisão, a família foi notificada da execução programada. A ONG denunciou que o processo foi extremamente rápido e opaco, sem que a família recebesse informações sobre as acusações ou o andamento do caso. A falta de acesso a um advogado e a um julgamento justo também foram enfatizadas, levantando sérias preocupações sobre os direitos humanos no Irã.

Violação dos direitos humanos

A situação de Soltani é emblemática das violações sistemáticas enfrentadas pelos manifestantes. Segundo a Hengaw, desde a sua prisão, ele foi privado de direitos fundamentais, incluindo o acesso a um advogado e a capacidade de se defender adequadamente. A irmã de Soltani, que é advogada, também não conseguiu acessar o processo, evidenciando a falta de transparência e justiça do sistema judicial iraniano.

A onda de protestos

Os protestos atuais são considerados os mais significativos desde 2009 e refletem um descontentamento crescente com o regime dos aiatolás, exacerbado por uma crise econômica profunda. Durante 16 dias, as manifestações se espalharam por 187 cidades, resultando na prisão de mais de 10 mil pessoas. A resposta violenta do governo, incluindo o uso da pena de morte, é vista como uma tentativa de silenciar a oposição e intimar a população.

Repercussão internacional

A execução de Soltani gerou reações internacionais, com líderes globais expressando preocupação sobre a situação dos direitos humanos no Irã. A imposição da pena de morte em tais circunstâncias é vista como uma violação clara do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, especialmente no que diz respeito ao direito à vida e a garantias de um julgamento justo. A Hengaw enfatizou que a execução de Soltani não é apenas uma tragédia pessoal, mas um indicativo da repressão severa que caracteriza o regime atual.

Com a crescente repressão e as contínuas violações dos direitos humanos, o futuro das manifestações no Irã permanece incerto. A execução de Erfan Soltani não apenas marca um capítulo triste na luta pela liberdade, mas também destaca a necessidade urgente de intervenção internacional e apoio àqueles que buscam justiça e dignidade em meio à opressão.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Reprodução redes sociais

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