Presidente da Royal Society defende Elon Musk em polêmica sobre conduta

Evelyn Hockstein/Reuters

Paul Nurse argumenta que expulsões só devem ocorrer em casos de fraudes científicas.

Paul Nurse defende que expulsões da Royal Society só devem ocorrer em casos de fraude ou defeito na pesquisa.

Polêmica na Royal Society sobre Elon Musk

No dia 14 de janeiro de 2026, Paul Nurse, presidente da Royal Society, reacendeu uma polêmica em torno da associação de Elon Musk à instituição. Durante uma entrevista, Nurse defendeu que a expulsão de membros da sociedade deve ocorrer apenas em casos de fraudes ou defeitos na pesquisa, uma posição que gerou reações mistas entre os membros da comunidade científica.

Defesa de Paul Nurse sobre a conduta de Musk

Nurse, que assumiu a presidência da Royal Society pela segunda vez em dezembro do ano passado, sustentou que a sociedade deve focar em realizar sua missão de promover a ciência e não se distrair com questões de caráter pessoal. Ele argumentou que, embora a conduta de Musk possa ser controversa, a expulsão não é a resposta adequada a comportamentos que não estejam relacionados diretamente à pesquisa científica.

O presidente enfatizou: “Nós elegemos pessoas por suas conquistas científicas, e, portanto, a expulsão deve ocorrer apenas se isso se mostrar falso ou incorreto”. Essa posição foi defendida mesmo após acusações de que Musk violou o código de conduta da Royal Society, especialmente em relação a sua influência nas políticas de financiamento de pesquisas nos Estados Unidos.

Reações da comunidade científica

A declaração de Nurse não passou despercebida. Vários membros da Royal Society expressaram suas opiniões sobre o tema. O químico e laureado com o Prêmio Nobel, Prof. Andre Geim, apoiou a visão de Nurse, argumentando que expulsões seriam um teatro sem efeito real sobre a conduta de Musk. Ele afirmou que a obsessão em torno de Musk poderia desviar a atenção da missão principal da Royal Society: defender as condições para a ciência na Grã-Bretanha.

Contudo, outros fellows discordaram veementemente. Um membro anônimo da sociedade criticou Nurse por supostamente descreditar a imagem da Royal Society, argumentando que a inação diante das atitudes de Musk poderia minar a confiança pública na ciência.

Questões éticas e a necessidade de responsabilidade

A discussão em torno da conduta de Musk também levantou questões éticas mais amplas sobre a responsabilidade de instituições científicas. Prof. Rachel Oliver, da Universidade de Cambridge, enviou uma carta a Nurse pedindo que ele reconsiderasse suas declarações, ressaltando a importância de códigos de conduta que não apenas condenem fraudes científicas, mas também comportamentos que possam ser considerados antiéticos, como o assédio sexual.

Nurse respondeu que a Royal Society não tolera discriminação, assédio ou bullying em nenhuma forma, reiterando que essas diretrizes continuarão a ser parte fundamental do código de conduta da instituição. No entanto, críticos como o Prof. Stephen Curry, da Imperial College London, argumentaram que a postura da Royal Society era fraca e não refletia a defesa vigorosa dos valores científicos que a sociedade tanto necessita atualmente.

Elon Musk e a tecnologia

As controvérsias envolvendo Elon Musk não se limitam apenas à sua conduta pessoal. O uso de sua ferramenta Grok AI, que permite a remoção digital de roupas de imagens, levantou preocupações sobre os possíveis impactos de tais tecnologias na sociedade. Prof. Andrea Sella, também da University College London, criticou Musk por amplificar movimentos anti-ciência e por seu papel em desmantelar serviços de saúde em países em desenvolvimento.

Conclusão

A discussão sobre a associação de Elon Musk à Royal Society ilustra um dilema mais amplo sobre a ética na ciência e a responsabilidade de instituições respeitáveis em manter padrões elevados. À medida que a sociedade enfrenta desafios complexos, a necessidade de liderança e clareza na defesa dos valores científicos torna-se cada vez mais crucial. O futuro da Royal Society e sua capacidade de navegar por essas águas turbulentas dependerão de sua disposição para confrontar as questões éticas que seus membros, como Musk, levantam.

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